Vamos falar sobre melasma?
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Vamos falar sobre melasma?

por Vânia Goy

Há uns dois anos fui encontrar a Jennifer Garner em Los Angeles para uma entrevista. E entre as perguntas básicas de beleza ela me disse que um dia percebeu que tinha que cuidar da pele, porque ficar camuflando pequenas imperfeições estava ficando cada vez mais difícil. É assim que me sinto tendo melasma e, certamente, se você sofre com manchas no rosto sabe do que eu estou falando.

Para começar: melasma são manchas castanhas que aparecem no rosto. Não são sardas nem pintinhas de sol, que tendem a ser mais homogêneas. No meu caso, elas começam com algo parecido com uma pinta e, num piscar de olhos (o que significa dois anos sem cuidados específicos), se transformam em uma placa. Chatíssima, porque o corretivo e a base não dão conta de esconder e ela só aumenta.

A verdade é que os médicos não sabem porque temos melasma. Muitas mulheres desenvolvem as manchas no rosto durante a gravidez, porque há uma relação direta com os hormônios. No meu caso, envolve todos os fatores: anos tomando anticoncepcional, clima quente, sol dos trópicos, pele claríssima e pronto, rosto manchado.

Quando cheguei ao consultório da dermatologista Carla Vidal, aqui em São Paulo, queria me livrar de uma mancha enorme e escura na testa. Em 2012 ela não era tão contrastante com a minha pele, era facilmente camuflável com a base, mas ficava evidente quando eu estava sem make. A gente fez um tratamento de um ano com uma combinação de ácidos e laser que removeu para sempre a região escura.

Só que novos focos apareceram, eu não usei os produtos adequados e agora estou aqui para mostrar como o tratamento está evoluindo e tirar dúvidas básicas que recebo pelo meu Instagram e Facebook:

1. Como saber que a minha mancha é melasma?
Eu realmente confio essa parte a um especialista, porque nem sempre a gente enxerga tudo a olho nu ou sabe a diferença de melasma e, sei lá, mancha de acne. Uma das coisas que mais gosto no consultório da Carla é a possibilidade de tirar fotos do meu rosto para acompanhar a evolução do tratamento. Na galeria tem uma série que mostra a evolução de 2012 até agora.

2. Que cremes você usa?
Uso fórmulas manipuladas por uma razão: tenho a pele oleosa, com tendência à acne, mais de 30 anos e com melasma. Consigo usar um só produto para tratar o excesso de sebo, flacidez e as manchas. Mais: sou muito sensível e facilmente sinto ardência ou pinicação com ácidos. Por isso manipular a quantidade de ativos ajuda a não ter desconforto. Também tomo suplementos, tendência no tratamento contra melasma, para manter meus níveis de antioxidantes em alta e me defender de raios UV e radicais livres. Mesmo não precisando de receita, é fundamental a indicação de um médico. Suplementos não são tão inofensivos e é preciso avaliar seus exames. Fazer esse tipo de escolha sozinha pode ser dinheiro jogado no lixo ou, pior, pode criar uma sobrecarga desnecessária no seu organismo.

3. Os cremes que vendem nas farmácias e lojas funcionam?
Sim! Segundo a doutora Carla, os cremes clareadores que existem no mercado são muito eficientes, mas dependendo seu tipo de mancha. Os meus, chamados melasmas mistos, já estão em um estágio apresentam a hiperpigmentação e também aquele aspecto “teia de aranha”, que é um emaranhado de vasos vermelhos. Segundo ela, contra eles não há creme que funcione, por isso o tratamento com laser é fundamental.

4. Que ativos procurar em cremes clareadores?
Cada marca desenvolve fórmulas e patentes diferentes, mas uma boa pista é procurar por ingredientes como a isoflavona, o ácido tranexâmico e o ácido azelaico, Os meus cremes, geralmente feitos com esses ingredientes, têm poucos efeitos colaterais, não causam descamação ou sensação de repuxamento. Além disso, o ácido azelaico, por exemplo, é menos fotossensível, o que significa que consigo fazer o tratamento o ano todo, sem medo do verão.

5. Que laser você faz?
Comecei o tratamento com o Isolaz, “indicado para quem tem acne e que também melhora a pigmentação da pele e ajuda na penetração dos ativos”, segundo a doutora Carla. Depois passo para o Electra. “Ele funciona em melasmas mistos, atua sobre o pigmento melâmico e também sobre os vasos.” Nenhum deles é agressivo, causa dor ou vermelhidão. As mudanças acontecem de dentro para fora, e não retirando a camada superficial para “renovar” a pele.

6. Uso cremes clareadores e a minha mancha está piorando! Pode acontecer?
Sim, essa é uma sensação comum durante o tratamento. “Reduzir a área da mancha implica em fazê-la ficar mais concentrada e alcançar camadas mais superficiais, o que aumenta a sensação do contraste. É, na verdade, o seu corpo colocando ela para fora”, diz Carla.

Para finalizar:

. Use FPS 30 todos os dias, sem economia. Não importa se está nublado, os raios UV são poderosos.
. Respeite a sua pele: ela precisa ser tratada com delicadeza. Uso, por exemplo, o ácido alternado com outro creme. Não adianta querer usar todos os dias e acelerar o processo, a pele só vai ficar sensível.
. Não existe receita de bolo: cada caso, e cada pele, é um caso.
. Dermatologista é caro, laser é caro, creme é caro. Os resultados não aparecem em um mês. Disciplina é fundamental.

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