Pele nua e crua
Desejos

Pele nua e crua

por Vânia Goy

A gente não cansa de falar pele natural nessa temporada de verão 2015, mas a maquiagem ~cool~ da estação é mais do que isso: é nua e crua.

A minha grande referência para esse tema nem é nova. Fiquei meio chocada quando a Phoebe Phillo assumiu a Céline e passou a ter a Daria Werbowy como garota-propaganda da marca. A Daria sempre foi sexy do jeito mais óbvio: cabelão ondulado, bronze. O que Phoebe Phillo fez foi transformar a Daria na Phoebe Phillo, hahaha. A primeira fase de anúncios da marca, 2011, era hiperralista. Daria desconstruída totalmente, com as sardas aparecendo, o olho pequenino sem realce, o cabelo curto e espigado. Mesmo quando rolou com babyliss ou um batom, ela continuava bem “desmaquiada”.

E, nessa temporada de verão 2015, isso virou o máximo das modernidades. A gente não está falando de pele corrigida e boca nude. Estamos falando de make nada literalmente, no máximo, um balm sem cor. François Nars – o Nars em si – foi ao extremo, mandando as meninas para a passarela de Marc Jacobs usando nada além de hidratante.

Fabiana Gomes, maquiadora sênior da M.A.C no Brasil, disse no Insta, lá de Paris, que até olheiras meticulosamente calculadas apareceram na passarela de Yang Li. Mais do que isso, o onipresente Eye Gloss, novidade da marca, foi usado em dezenas de desfiles, desde o começo da temporada, em Nova York. Camadas e camadas de brilho TRANSPARENTE deixavam as peles e pálpebras suadinhas. Sim, o produto da temporada era transparente.

Faz sentido, já que a bola da vez é ser normal, né? “Chegamos num ponto em que lábios cor-de-rosa, maçãs rosas ou máscara parece uncool”, disse Lisa Butler, que assinou a beleza de Isabel Marant, à Elle americana. “Cílios postiços não são fabulosos, lipgloss não é fabuloso. Você é fabulosa. Se você acha que precisa de maquiagem para parecer completa, isso é triste…”

Falando assim a gente até encontra um eco nas campanhas como a Stop the Beauty Madness, que mobilizaram usuárias de redes sociais em prol de uma beleza menos paranóica.

“Nada de máscara”, disse Peter Phillips, diretor criativo da linha beleza da Dior, à Elle. Lucia Peroni, que é responsável pela beleza da Chloé, também foi categórica. “Não importa o que você faça, não curve os cílios.” A sua ideia era criar uma beleza um pouco como a Kate Moss na fase grunge dos 90’s. Guido Palau, que deve ter feito centenas de rabos baixos e coques despretensiosos nessa temporada, foi mais preciso. “Nós estamos mudando a nosso conceito de luxo. O jeito novo de ser elegante é por meio do minimalismo”, disse. Talvez a gente tenha cansado um pouco de parecermos tão impecáveis, não?

De qualquer forma, vale lembrar que os maquiadores vivem produzindo meninas de 15 anos de idade, né? Eu também saia arrasando de cara lavada no colegial. Hoje, ser minimalista inclui, no mínino: um spray pro cabelo, BB Cream com FPS 30 e lápis marrom na sobrancelha. Mesmo que eu use todos eles para parecer… sem maquiagem! 😉

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