Acessórios hi-tech: a nova geração de wearables
Longevidade

Acessórios hi-tech: a nova geração de wearables

por Manuela Aquino

foto: Bruna Guerra

Na era em que cuidado, longevidade e performance caminham juntos, ter algum dispositivo para monitorar o próprio corpo parece quase parte do pacote. E, se antes esse papel cabia principalmente aos smartwatches, uma nova geração de wearables aposta justamente em parecer menos tecnológica e mais próxima do universo dos acessórios: anéis e pulseiras sem telas e até brincos agora se misturam às peças do dia a dia enquanto monitoram sono, frequência cardíaca, temperatura corporal, atividade, estresse e outros indicadores de saúde.

Os smart rings, por exemplo, ajudam a impulsionar esse movimento e já se consolidaram como uma categoria própria. Segundo a Fortune Business Insights, o mercado global desses anéis deve chegar a US$ 3,77 bilhões em 2034, crescendo a uma taxa anual composta de 29,3%. Saúde e bem-estar estão no centro desse avanço e responderam por 43,9% da receita do setor em 2025, de acordo com a Grand View Research. O crescimento acirrou a disputa entre marcas como Oura, RingConn, Ultrahuman e Samsung, destaques em levantamentos recentes da Wareable e da Forbes. Mas, conforme sensores e recursos de monitoramento se sofisticam, a competição começa a acontecer também no território do design.

Por aqui, por exemplo, a Polar lançou a pulseira Loop. Lá fora, a Casio, apresentou o CRW-001, um relógio digital em formato de anel que leva para o dedo a estética retrô característica da marca e a Lumia Health lançou o Lumia 2, brinco inteligente do tamanho de um grão de café que mede mais de 20 indicadores de saúde, do sono ao fluxo sanguíneo. Já a WHOOP lançou o Meridian, pulseira com acabamento em malha metálica no estilo Milanese. Segundo o Business of Fashion, o lançamento faz parte de uma estratégia para aproximar o wearable do universo da moda e ampliar sua presença principalmente entre as mulheres. “Sempre fomos inspirados pela joalheria. Se você está desenvolvendo uma tecnologia que será usada no pulso de alguém, precisa olhar para as marcas de joias e relógios de alto padrão. As mulheres têm um padrão mais elevado para o que querem usar no pulso. Uma estratégia era tornar o produto descolado, e a outra era torná-lo invisível”, declarou Will Ahmed, fundador e CEO da WHOOP, ao Business of Fashion.

Além da estética
Tornar esses dispositivos mais fáceis de incorporar à rotina é apenas uma parte dessa evolução. Os wearables também começam a avançar sobre aspectos cada vez mais específicos da saúde. É o caso de sensores de monitoramento contínuo de glicose, como o Abbott Lingo e o FreeStyle Libre, que acompanham os níveis de glicose ao longo do dia.

Na saúde feminina, esse avanço também começa a ganhar aplicações específicas. A Clair, por exemplo, desenvolve uma pulseira voltada ao monitoramento da saúde hormonal, com atenção também à perimenopausa e à menopausa. Segundo a empresa, sensores captam mais de 130 biomarcadores relacionados a diferentes sistemas do organismo, além de informações sobre sono, atividade e composição corporal, que são analisados para acompanhar o estado hormonal. Ainda em desenvolvimento e pré-lançamento, com os primeiros dispositivos previstos para o fim deste ano, a proposta é funcionar não apenas como um marcador, mas como uma plataforma de acompanhamento da saúde feminina. Em maio deste ano, a Oura também ampliou os recursos de seu anel voltados à saúde hormonal, com ferramentas para quem utiliza contraceptivos hormonais e para mulheres na perimenopausa e na menopausa. Entre as novidades está uma escala que relaciona 22 sintomas da menopausa a tendências fisiológicas registradas pelo dispositivo, como alterações no sono e na variabilidade da frequência cardíaca. E a WHOOP lançou um painel de exames de sangue de US$ 299 com biomarcadores ligados a ciclo menstrual e transições hormonais — eles são medidos diretamente em laboratório e integrados ao app.

A quantidade de informação produzida por esses dispositivos também abre possibilidades que ultrapassam o uso individual. O Apple Women’s Health Study, conduzido pela Harvard T.H. Chan School of Public Health em parceria com a Apple, utiliza dados coletados por dispositivos usados no cotidiano para estudar diferentes aspectos da saúde das mulheres. Em uma análise sobre sono e perimenopausa, pesquisadores acompanharam 338 participantes e reuniram informações de 94.118 noites de sono, combinando questionários com dados de duração e estágios do sono registrados pelo Apple Watch. Segundo Harvard, foram observadas mudanças nos padrões de sono conforme as participantes se aproximavam da menopausa, incluindo um aumento do tempo acordadas durante a noite. O estudo aponta para outra possibilidade desses dispositivos: transformar informações coletadas continuamente na rotina em dados para pesquisas de saúde.

Acompanhamento não é diagnóstico
Quanto mais esses dispositivos avançam sobre aspectos específicos da saúde, mais importante se torna distinguir monitoramento de diagnóstico. Girish N. Nadkarni, médico e pesquisador do Mount Sinai ouvido pela Forbes, ressalta que os wearables podem ser úteis para observar tendências e mudanças no organismo, mas seus dados não devem ser tratados como diagnósticos — e podem, inclusive, apresentar imprecisões. A ideia é que funcionem como ferramentas complementares, sem substituir o acompanhamento médico.


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