
Longevidade
Saúde como destino: a ascensão do turismo de longevidade
por Larissa Nara
foto: Awasi Santa Catarina (divulgação/women’s health & hormonal balance)
Quando foi que fazer um check-up médico virou destino dos sonhos? O que antes soava como obrigação de consultório agora aparece embalado como experiência aspiracional: alguns dias fora de casa para escanear o corpo inteiro, mapear marcadores, ajustar o metabolismo, regular o sono e testar protocolos de saúde (de preferência, muito hi-techs!). No chamado turismo de longevidade, a promessa das férias não é mais só sobre descanso: é voltar melhor do que se chegou, depois de fazer exames avançados, protocolos de nutrição funcional e programas personalizados no lugar do all-inclusive.
Relatórios do Global Wellness Institute apontam que o turismo de bem-estar deve chegar a cerca de US$ 1,4 trilhão até 2027, impulsionado por uma demanda crescente por experiências que combinem prevenção, ciência e estilo de vida. E essa virada não é por acaso. No mundo pós-pandemia, atravessado por instabilidade, excesso de estímulo e uma sensação quase crônica de cansaço, cuidar do corpo oferece alguma ideia de controle sobre o incontrolável e, junto a isso, a lógica da performance (antes muito associada ao trabalho) migrou para a saúde.
O episódio “Viajando pelo bem-estar” do podcast Ciao, Bela, exemplifica bem como o wellness deixou de ser um nicho restrito a spas e retiros de yoga para se expandir em experiências que organizam descanso, saúde e regeneração de forma mais estruturada — do detox digital a programas para atletas, passando por vivências guiadas por saberes ancestrais.
Na hotelaria de luxo, em vez de apenas ostentar paisagens exclusivas e serviço impecável, clínicas e resorts passaram a vender utilidade biológica. Lá fora, endereços como Lanserhof, SHA Wellness e Chenot combinam hospitalidade, medicina preventiva e programas que incluem desde check-ups avançados, mapeamento metabólico, genético e hormonal, passando por planos nutricionais personalizados e rotinas estruturadas de sono e movimento até terapias de oxigênio hiperbárico, crioterapia e infusões intravenosas. Na Clinique La Prairie, na Suíça, por exemplo, é possível encontrar uma série de protocolos focados no envelhecimento biológico, inclusive cerebral. O programa Brain Potential oferece uma semana inteira com ressonância magnética analisada por IA, testes de microbiota, avaliação cognitiva e protocolos personalizados de neuro-nutrição, treino mental e terapias sensoriais — tudo para melhorar foco, memória e resiliência a longo prazo.
Já por aqui, o Awasi Santa Catarina acaba de lançar o programa Wellness & Longevity, construído em torno de pilares como saúde metabólica, energia estável e qualidade do sono, a partir de uma abordagem gradual em que alimentação, movimento, pausas e recuperação atuam de forma integrada. Para o Belezinha, Luiza Mattos, diretora de marketing e digital do grupo Awasi, diz que, mais do que buscar respostas imediatas, a proposta trabalha na construção de algo que possa ser sustentado no dia a dia. “O hóspede de hoje não busca mais apenas descanso; ele quer sair diferente de como chegou. Nossa proposta parte de uma leitura do ritmo acelerado da vida cotidiana, trazendo uma abordagem estruturada para restaurar energia, equilíbrio e presença de forma gradual”, explica.
Nesse contexto, o próprio ambiente deixa de ser pano de fundo para se tornar parte do processo — natureza, silêncio e desaceleração como vetores de regulação do corpo, com efeitos documentados sobre o sono, o estresse e o sistema nervoso. O Spa Mar, por exemplo, funciona em tendas com vista para o oceano, onde os tratamentos (agora assinados pela La Mer) acontecem ao som do mar. Ao todo, cinco programas estruturam a iniciativa — entre eles, o Gut Health & Anti-inflammatory Living, com foco na digestão e na redução de inflamações, e o Women’s Health & Hormonal Balance, voltado ao equilíbrio hormonal.