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A corrida bilionária das células-tronco e mais notícias
por Manuela Aquino
Depois de exossomos, PDRN e peptídeos, a indústria da beleza passa a investir em fórmulas inspiradas nos mecanismos naturais de regeneração da pele para estimular a renovação celular e a produção de colágeno. Uma reportagem da Vogue aponta as células-tronco como a nova aposta do setor, já que, segundo especialistas, elas atuam como um sistema interno de reparação da pele. A maior parte dos cosméticos não utiliza células-tronco vivas, mas sim fatores de crescimento, proteínas sinalizadoras e exossomos capazes de estimular processos regenerativos. Entre os produtos disponíveis no mercado americano estão o TNS Advanced+ Serum, da Skin Medica, o Bio Serum Firm, da Neocutis, e o Cell Forté Serum With BIOMSC, da Angela Caglia Skincare. O segmento também acompanha o crescimento de fórmulas voltadas para peles sensíveis e para a recuperação pós-procedimentos estéticos. Marcas como Symbiome, Eighth Day Skin e Kate Somerville já apostam em combinações de fatores de crescimento, peptídeos bioidênticos e ativos inspirados em células-tronco vegetais e humanas.
As células-tronco, mais conhecidas pelo uso em tratamentos de câncer e doenças degenerativas, também vêm despertando o interesse de consumidores de alta renda em busca de performance, regeneração e longevidade. Uma reportagem da Town & Country aponta a tecnologia como uma das principais frentes da indústria do wellness de luxo. Clínicas especializadas em longevidade vêm oferecendo protocolos que combinam terapias celulares, exossomos, plasma rico em plaquetas e biohacking em programas personalizados. Também cresce o chamado turismo médico, com pacientes viajando para países como México, Bahamas, Panamá e Ilhas Cayman em busca de tratamentos experimentais com células-tronco. Em muitos casos, as sessões custam entre US$ 8 mil e US$ 10 mil, dependendo do protocolo e da clínica escolhida. Esse movimento acontece principalmente fora dos Estados Unidos, onde o FDA mantém restrições para aplicações antienvelhecimento com células-tronco, já que o envelhecimento não é oficialmente classificado como uma doença.
O avanço desse mercado vem impulsionando investimentos em biotecnologia, saúde personalizada e terapias celulares experimentais. Entre as tecnologias mais utilizadas atualmente estão as células-tronco mesenquimais retiradas da medula óssea e as derivadas da chamada geleia de Wharton, coletada do cordão umbilical. Clínicas especializadas em regeneração utilizam essas terapias em protocolos faciais, tratamentos capilares e aplicações relacionadas à recuperação muscular e ao controle de processos inflamatórios. Algumas empresas também trabalham com células MUSE (Multilineage-differentiating Stress Enduring Cells), consideradas promissoras em estudos de regeneração celular. Além de apresentarem potencial de atuação em diferentes tecidos, elas são conhecidas pela resistência a condições de estresse intenso. As terapias também vêm atraindo celebridades. Atletas como Cristiano Ronaldo e Rafael Nadal já recorreram a tratamentos celulares para recuperação física, enquanto Kim Kardashian e Khloé Kardashian compartilharam experiências com esse tipo de procedimento.
Em reportagem recente publicada pelo The New York Times, pesquisadores afirmam que terapias de rejuvenescimento celular podem transformar a medicina nas próximas décadas e abrir caminho para tratamentos voltados a centenas de doenças relacionadas à idade. Os estudos mais recentes mostram que cientistas já conseguiram rejuvenescer células humanas em laboratório e restaurar funções em animais idosos. Parte dessas pesquisas utiliza os chamados fatores de Yamanaka, descoberta do cientista japonês Shinya Yamanaka que permite “reiniciar” células envelhecidas e aproximá-las de um estado mais jovem. O interesse também tem atraído investidores. A Altos Labs, startup apoiada por nomes do setor de tecnologia, tornou-se uma das empresas mais observadas do segmento ao direcionar bilhões de dólares para pesquisas em rejuvenescimento celular. Segundo relatos da imprensa internacional, a companhia recebeu apoio financeiro de Jeff Bezos. Já Sam Altman investiu cerca de US$ 180 milhões na Retro Biosciences, startup que promete ampliar a expectativa de vida saudável em até dez anos. Os aportes dão uma dimensão do aquecimento do mercado. Segundo dados da Longevity.Technology, os investimentos globais em empresas de longevidade alcançaram US$ 8,49 bilhões em 2024, um crescimento de 220% em relação ao ano anterior. Projeções da MarketResearch.com indicam que o mercado global de wellness preventivo e longevidade deve saltar de US$ 784,9 bilhões para US$ 1,9 trilhão até 2034.
TOP 4
1. CFM proíbe o uso de PMMA para fins estéticos
A Resolução nº 2.461/2026 do Conselho Federal de Medicina (CFM), publicada em 2 de junho, ampliou as restrições ao uso do polimetilmetacrilato (PMMA) e proibiu sua utilização por médicos em todo o território nacional para fins estéticos ou reparadores. A única exceção prevista é o tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV/aids atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), seguindo protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas do Ministério da Saúde. A medida foi endossada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), que há anos mantém posição contrária ao uso estético da substância. Segundo a entidade, o PMMA é um preenchedor permanente associado a complicações graves e, muitas vezes, irreversíveis, incluindo processos inflamatórios crônicos, infecções, formação de granulomas, deformidades e sequelas permanentes. A SBD também destaca que, por permanecer indefinidamente no organismo, o produto dificulta o tratamento de intercorrências e limita as opções terapêuticas diante de complicações tardias. Em nota, a entidade reforçou seu compromisso com a medicina baseada em evidências e com a adoção de procedimentos que ofereçam maior segurança aos pacientes.
2. Natura faz parceria com Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a Natura e o Instituto Gerando Falcões anunciaram uma parceria para ampliar oportunidades de qualificação profissional, empreendedorismo e geração de renda para famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). A iniciativa integra o Programa Acredita no Primeiro Passo e poderá alcançar mais de 3 milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade social. O programa também conecta os participantes às linhas de microcrédito da iniciativa, facilitando o acesso a recursos para quem deseja iniciar ou expandir pequenos negócios. A Natura destaca que a parceria amplia as possibilidades de independência financeira por meio de sua rede de consultoria, que reúne cerca de 1,5 milhão de profissionais em todo o país. A ação terá início com um projeto-piloto em São Paulo e Salvador, oferecendo cursos gratuitos de empreendedorismo e beleza em formato digital, com aulas gravadas e transmissões ao vivo. Após a capacitação, os participantes poderão atuar como consultores de beleza da Natura e Avon ou ingressar na Bluma. “Ao dar acesso ao modelo de consultoria de beleza, estabelecemos uma estrutura de suporte e capacitação para que cada pessoa que integra o CadÚnico amplie possibilidades de empreender e construa sua independência financeira”, afirma Ana Costa, vice-presidente de Sustentabilidade, Jurídico e Reputação Corporativa da Natura. Com o Instituto Gerando Falcões, o projeto também prevê ações voltadas à qualificação profissional, empregabilidade e empreendedorismo. “Quando unimos governo, empresas e organizações da sociedade civil em torno de um objetivo comum, conseguimos criar caminhos reais para que milhões de brasileiros tenham acesso a renda, capacitação e oportunidades de desenvolvimento. Essa parceria é um passo importante para acelerar a inclusão produtiva nas periferias do país”, declarou Edu Lyra, fundador da Gerando Falcões.
3. Dove lança programa inédito contra abandono de meninas no esporte
Patrocinadora oficial das Copas do Mundo FIFA de 2026 e 2027, Dove anunciou a chegada ao Brasil do programa Dove Confiança Corporal no Esporte, iniciativa global voltada à permanência de meninas na prática esportiva. Com o lançamento, a marca divulgou uma pesquisa global que aponta que uma em cada duas meninas entre 11 e 17 anos abandona o esporte — índice duas vezes superior ao registrado entre os meninos. No Brasil, 74% das jovens afirmam já ter pensado em desistir de atividades esportivas por inseguranças relacionadas ao próprio corpo. O futebol aparece entre as modalidades mais afetadas: 60% das meninas deixam de praticar o esporte durante a adolescência, muitas vezes devido a pressões estéticas e à falta de ambientes acolhedores. Segundo Marina Ballini, diretora de Marketing de Sabonetes e Dove Masterbrand, o patrocínio aliado às competições da FIFA busca ampliar a visibilidade do tema. “A presença de Dove nos torneios reforça a intenção de usar a potência e o alcance do futebol para dar visibilidade aos desafios enfrentados por meninas no esporte, estimulando discussões sobre autoestima, pertencimento e permanência. Hoje, Dove é a maior provedora mundial de programas de educação para a autoestima. Nosso compromisso com a vinda do projeto é apoiar a construção de ambientes mais positivos para que elas continuem no jogo e possam desenvolver todo o seu potencial”, afirmou a executiva. Criado em parceria com instituições internacionais especializadas em imagem corporal e esporte, o programa será implementado no Brasil em conjunto com a Laureus Sport for Good, o Instituto Esporte e Educação e a Rede Esporte pela Mudança Social. A meta é alcançar 80 mil meninas e treinadores até o fim de 2027. A iniciativa também será acompanhada pela campanha “O jogo é nosso”, estrelada por influenciadores e atletas do futebol feminino, como Tamires e Cristiane Rozeira.
4. Ex-executivos de L’Oréal e Boticário lançam hub de beleza
A NudeCode Beauty estreia com a proposta de desenvolver marcas autorais voltadas às novas demandas de bem-estar, autocuidado e perfumaria. A empresa foi criada por Ana Carolina Martins, ex-L’Oréal e Grupo Boticário, e Mark Zammit, também com passagem pela L’Oréal e atualmente ligado à GSH Live. O modelo adotado é o de house of brands, que reúne diferentes marcas sob uma mesma estrutura operacional e estratégica. A proposta é identificar tendências de consumo e comportamento e transformá-las em produtos de forma mais ágil. A primeira marca do portfólio é a So Delícia!, lançada com uma linha de body & hair splashes formulados com ácido hialurônico, alta concentração de fragrância e tecnologia neutralizadora de odores. “A NudeCode Beauty não nasceu para ser uma empresa de prateleira, mas uma curadoria de experiências contemporâneas. Nossa tese de house of brands nos permite transitar por diferentes verticais que compõem o bem-estar moderno”, afirma a executiva. Com operação 100% digital e estratégia baseada em social commerce, a empresa pretende acelerar o desenvolvimento de novas marcas ainda este ano.
E mais:
• A Khloud, marca de pipoca proteica de Khloé Kardashian, recebeu um aporte de US$ 15 milhões, elevando para US$ 27 milhões o total captado desde sua criação. Os recursos serão usados para ampliar a distribuição em grandes varejistas dos Estados Unidos, como Walmart, Target e Starbucks. Segundo a Allied Market Research, o mercado global de produtos proteicos deve superar US$ 50 bilhões até 2031.
• A AURA Beauty e a HOPE lançaram uma colaboração para o Dia dos Namorados, reunindo produtos de perfumaria corporal e lingerie em kits exclusivos. A ação combina itens como os body splashes Aurora Shine, Venus Love e Afrodite Petals, além de manteiga iluminadora e primer acetinado, com peças da marca de lingerie.
• A Kérastase anunciou uma parceria com a Musa Rio para lançar o Pink Gloss, smoothie proteico inspirado na linha Gloss Absolu Crème. A bebida combina pitaya, banana, abacaxi, suco de laranja, bergamota, colágeno de baunilha, tâmara e raspas de limão-siciliano. O lançamento ficará disponível durante junho nas unidades da rede no Rio de Janeiro.
• A Simple apresentou a Skin AI, plataforma de análise facial baseada em inteligência artificial desenvolvida em parceria com a metaKosmos/PulpoAR e dermatologistas. A ferramenta utiliza um questionário e escaneamento facial para avaliar rugas, acne, hidratação, oleosidade, manchas e firmeza da pele. Com base nos resultados, sugere rotinas personalizadas de skincare.
• A ISDIN inaugurou uma pop-up store no Shopping JK Iguatemi, em São Paulo, para apresentar o novo Isdinceutics Retinal. Entre as atrações está a plataforma AURA, desenvolvida pela Entera Med, que utiliza inteligência artificial e modelagem facial em 3D para analisar sinais do envelhecimento cutâneo, como rugas, textura e manchas. A experiência inclui experimentação de produtos, personalização de embalagens e brindes exclusivos para a comunidade Love ISDIN.
• A Unilever investiu US$ 270 milhões em um novo centro de inovação em Connecticut, nos Estados Unidos. O espaço reunirá equipes de pesquisa e desenvolvimento voltadas para beleza, cuidados pessoais e bens de consumo.
• A MBOOM lançou sua primeira linha própria de maquiagem inspirada no conceito de wearable beauty. Criada pela farmacêutica Bruna Montebeller, a marca já desenvolveu produtos em parceria com influenciadoras como Franciny Ehlke, Karen Bachini, Pamella e Brunna Gonçalves. Entre os lançamentos estão o MAG SOFT, mousse multifuncional com embalagem magnética para celular, e o POP STICK, blush e batom em formato de chaveiro. A empresa projeta alcançar R$ 350 milhões em receita este ano.