Até a última gota: fragrâncias usadas (e amadas) até o fim
Fragrância

Até a última gota: fragrâncias usadas (e amadas) até o fim

por Vânia Goy

Entre belezinhas nacionais e importadas, estas fragrâncias renderam suspiros por aqui até a última gota. Frescas, aconchegantes, minimalistas ou cheias de contrastes, elas têm pouco em comum além da elegância — e da vontade de repetir a dose!

Eau de Parfum Fleur du Mal, Dries Van Noten, € 285
O estilista belga Dries Van Noten é conhecido pelos contrastes de cores e texturas que marcam suas coleções e é justamente esse jogo de opostos que mais surpreende na fragrância Fleur du Mal — não disponível no Brasil. Daquelas que valem o investimento numa viagem, tem uma saída de pêssego que faz pensar, de início, em uma fragrância mais delicada e quase inocente. Mas logo aparece o osmanthus, flor com nuances frutadas, que lembram damasco, e uma faceta de couro. O fundo de suede reforça ainda mais o contraste. É um perfume que faz imaginar um look muito específico: sandália de tiras finas e saia midi marrom-chocolate.

Jardin de Grasse Sauge Blanche, O.U.i Paris, R$ 249
Já foram dois frascos inteiros por aqui — e o terceiro está a caminho. Jardin de Grasse Sauge Blanche é daquelas fragrâncias leves e frescas que fogem do caminho mais óbvio dos cítricos. Aqui, quem protagoniza a composição é a sálvia branca: o cheiro faz pensar em um buquê de ervas recém-colhidas da horta, com aquele frescor verde de uma folhinha cortada na hora. No fundo, musk branco, baunilha e cashmeran trazem uma sensação gostosa de conforto, quase de abraço, criando um contraste entre frescor e aconchego. Versátil, vai da hora de acordar à academia e chega até o pijama para dormir.

Awake, Suzu, R$ 475
Uma das novidades brasileiras que mais conquistaram a gente nos últimos tempos, a Suzu estreou com uma coleção de fragrâncias minimalistas e sem gênero. Awake, quase na última gota por aqui, tem como um dos destaques o ambroxan, nota difícil de colocar em palavras — e talvez esteja justamente aí parte da graça. Na pele, começa quase metálico, lembrando uma superfície de inox recém-limpa, e aos poucos ganha aquele cheiro gostoso de limpeza, de lavanderia e lençol no varal. Depois, fica mais confortável, musky e próximo da pele, com um toque mineral e quase salgado. É daqueles perfumes que parecem mudar o tempo todo e que, de tão difíceis de explicar, pedem uma recomendação simples: prove na pele.

Eau de Parfum Super Cedar, Byredo, US$ 235
Uma das marcas que ajudaram a transformar a perfumaria de nicho na febre contemporânea que é hoje, a sueca Byredo assina uma das fragrâncias minimalistas favoritas por aqui — infelizmente, não disponível no Brasil. Super Cedar é construída principalmente em torno do cedro, acompanhado por rosa, vetiver e musk, mas passa longe tanto de um perfume floral quanto daquela madeira que remete a bibliotecas, florestas ou superfícies rústicas. A imagem é outra: um móvel escandinavo de madeira clara, perfeitamente liso, com extremidades arredondadas e uma superfície que dá vontade de tocar. Ou, ainda, as lasquinhas claras que saem de um lápis recém-apontado. Tem frescor, conforto e uma simplicidade que está longe de ser sem graça.

Eau de Toilette Frivole, Fragonard, € 52
A tradicional casa de perfumaria francesa Fragonard acaba de completar 100 anos e, entre suas muitas fragrâncias, Frivole é uma das favoritas por aqui. Para entender o cheiro, a melhor imagem talvez seja esta: sul da França, banho recém-tomado e uma camisa de linho chiquérrima. A saída luminosa combina mandarina, bergamota e limão, seguida por um coração floral clássico, de peônia e flores brancas. No fundo, o musk deixa aquela sensação gostosa de intimidade e conforto na pele. O frasco chegou ao fim e já deixou vontade de outro.

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