100 anos de Skin Food
Skincare

100 anos de Skin Food

por Vânia Goy

foto: @weleda_usa (reprodução/Instagram)

Em uma indústria movida por novidades, como é a de beleza, é bonito de ver um produto que atravessou um século sem perder relevância. É o caso do Skin Food, da Weleda, queridinho de muita gente há décadas, sempre presente na bancada de maquiadores, nas nécessaires das famosas (e na minha também!). Lançado em 1926, o creminho da embalagem verde, com textura densa, cheirinho herbal e fórmula completíssima completa 100 anos como um pequeno fenômeno: nasceu antes do skincare virar essa categoria sofisticada que a gente conhece, antes do termo clean beauty existir e muito antes de a conversa sobre barreira cutânea, em alta, tomar conta das redes. Formulado com extratos de amor-perfeito, camomila e calêndula orgânica, a fórmula original (que pouco mudou até hoje) combina ainda óleos vegetais e ceras naturais, entregando a textura muito rica que fez do Skin Food um creme para tudo: mãos, cutículas, cotovelos, rosto ressecado. Segundo a Weleda, um frasco de Skin Food é vendido no mundo a cada 2,5 segundos. E, ao contrário do que muita gente pensa, as vendas globais do Skin Food original cresceram mais de 300% na última década, enquanto a coleção completa cresceu e tem muito mais versões disponíveis com texturas variadas (inclusive, mais amigáveis para o público brasileiro).  

Pré-clean beauty
Parte da força do Skin Food está no fato do produto participar de conversas relevantes que hoje dominam o mercado beleza como clean beauty. Esse é coração da história da Weleda, fundada em 1921 na Suíça, a partir de ideias ligadas à antroposofia, corrente que propõe uma visão mais integrada entre corpo, mente, espírito e natureza. A marca nasceu como laboratório farmacêutico e de cuidados pessoais, e continua criando produtos à base de plantas medicinais cultivadas a partir de agricultura biodinâmica – inclusive aqui no Brasil, na cidade de São Roque, de onde saem insumos para os medicamentos da marca vendidos aqui.

Segundo a marca, 100% de seus produtos são naturais e certificados pela NATRUE e pelo IBD, livres de microplásticos, parabenos, conservantes sintéticos, ingredientes geneticamente modificados e matérias-primas à base de óleos minerais. A empresa também diz que mais de 80% das matérias-primas de origem animal e vegetal vêm de agricultura orgânica e biodinâmica certificada. No Brasil, é uma B-Corp e ainda afirma que 97% dos resíduos são reutilizados por meio de compostagem, reciclagem ou recuperação. Ou seja, prato cheio para as consumidoras de clean beauty e buscam segurança em um mercado que, muitas vezes, usa sustentabilidade como argumento ocasional de campanha. 

O creme que virou cult
O Skin Food também conta com outra forcinha que faz diferença: ele virou item de backstage e é frequentemente citado por celebridades. A lista de fãs famosas reúne nomes como Victoria Beckham, Hailey Bieber, Julia Roberts, Kate Winslet, Bella Hadid e por aí vai. Neste ano, a marca reforçou essa conexão com o universo da moda ao se associar a Stella McCartney e a Val Garland, um dos maiores nomes da maquiagem. 

Em um momento em que o skincare anda bastante futurista, clínico e científico, com ativos como exossomos, NAD+, peptídeos, o Skin Food vai na contramão dessa lógica da hipercomplexidade. Ao contrário: oferece tradição e segurança falando de conforto, nutrição, reparação e pele protegida. Entra em conversas atuais como barreira cutânea, sensibilidade, ressecamento, inflamação e glow.

O Skin Food cresceu
O centenário da linha também chega em um momento de modernização da Weleda. A empresa registrou faturamento recorde em 2025, com receita total de €484,6 milhões e crescimento de 6,2% em relação ao ano anterior – a própria companhia atribui parte desse crescimento à modernização da marca, expansão de portfólio, novos produtos, digitalização e internacionalização.

Hoje, só a linha Skin Food cerca de 20% do faturamento global da Weleda. Segundo a BeautyMatter, a coleção internacional já chegou a 18 produtos diferentes. Aqui no Brasil, oito deles estão disponíveis (meu sonho é ter o sérum e manteiga labial por aqui!). Se você não sabe por onde começar, a gente te mostra os favoritos: 

. O clássico (R$ 210):  é denso, com textura rica, que pode assustar as mais oleosas. Mas pense nele como um multifuncional pensado para pele seca e ressecada. Uso nos calcanhares, cotovelos, cutículas, mãos e joelhos. Nos dias frios, é um santo remédio para a sensação de repuxamento do rosto. E, em noites de pouco sono, quando acordo com a pele sem viço e avermelhada, uma boa camada é o segredo para deixar a base com glow. 

. Skin Food Light (R$ 70): mantém a lógica nutritiva da linha, mas com textura mais leve e rápida absorção. Ótimo para quem acha o original denso demais para usar no rosto no dia a dia. 

. Óleo Ultraleve (R$ 100): ótimo exemplo de como a linha se modernizou. A fórmula bifásica tem toque seco que pode ser usada no rosto e no corpo. O corpo fica macio instantaneamente.

. Manteiga Corporal Skin Food (R$ 210) : favorito absoluto pro corpo. A fórmula com manteiga de karité e cacau é perfeita para pele seca e extra seca.

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