Futuro
10 anos de Bruna Tavares: o rebranding e internacionalização da marca
por Manuela Aquino
Dez anos após sua criação, a marca Bruna Tavares inicia um novo capítulo de sua trajetória com um amplo processo de rebranding e uma estratégia voltada à expansão internacional, que acontece dois anos após a integração ao grupo Kiss New York. No fim de 2025, em mais um importante passo estratégico, a marca inaugurou em São Paulo o BT Innovation, seu novo centro de pesquisa e desenvolvimento, moldado para acelerar a criação de fórmulas, aproximar diferentes especialistas, ampliar conexões e diminuir processos. O novo posicionamento reflete seu radar sempre atento às mudanças de comportamento do consumidor e às tendências globais que influenciam a beleza, algo que ela faz há anos nas trocas com sua comunidade digital. O mais recente lançamento mostra a convergência de tendências. A BT Banana, traz as texturas jelly, o Brazil Core e o gourmand em uma só linha. Em entrevista ao Belezinha, Bruna Tavares, diretora criativa e fundadora da BT, fala sobre esta década, inovação, a conexão com a comunidade e futuro.
1. Quais você destacaria como os principais marcos dessa trajetória?
Acho que o maior marco foi transformar uma comunidade em uma marca real, sólida e desejada. Eu comecei falando sobre maquiagem na internet em um momento em que isso ainda era visto como algo muito nichado, quase informal. E aos poucos essa conversa virou influência, depois desenvolvimento de produto, depois empresa. Outro marco muito importante foi conseguir criar uma marca brasileira com identidade própria em um mercado que, durante muito tempo, valorizava mais o que vinha de fora. A BT ajudou a mostrar que o Brasil também podia criar produtos com inovação, performance, branding e desejo. Também considero um marco muito forte a entrada no grupo Kiss New York. Porque não foi só uma movimentação empresarial, foi uma validação internacional da potência que uma marca brasileira pode alcançar. E claro, olhando o produto, existem lançamentos que mudaram a história da marca, como o BT Velvet, o BT Skin, o Hermione, entre outros. Produtos que não nasceram só para seguir tendência, mas para abrir caminhos.2. O recente rebranding marca uma nova fase da BT. O que motivou esse movimento e o que ele agrega à marca neste novo ciclo?
O rebranding nasceu de um amadurecimento. A BT cresceu muito nos últimos anos e eu sentia que a marca precisava traduzir visualmente tudo o que ela tinha se tornado: mais sofisticada, mais global e ao mesmo tempo mais autoral. Mas era muito importante para mim que essa evolução não apagasse nossa essência. Então o desafio foi justamente evoluir sem romper. A nova identidade traz mais clareza de posicionamento, mais força internacional e mais coerência entre produto, embalagem, comunicação e experiência de marca. Existe também um cuidado muito grande com os símbolos da BT. A nova logo, por exemplo, foi desenhada pensando não só estética, mas também funcionalidade industrial, aplicação em embalagem, hot stamping, legibilidade e escala global. E eu acho que o principal ganho desse novo ciclo é que hoje a BT parece exatamente o que ela é: uma marca brasileira com ambição internacional.3. Você sempre teve um olhar muito apurado para collabs. Como essas parcerias entram hoje na estratégia da marca?
Pra mim, collab nunca pode ser só licenciamento ou oportunismo. As colaborações que realmente funcionam são aquelas em que existe troca de universo, não só troca de logo. Eu sempre penso: “essa parceria cria algo que nenhuma das duas marcas criaria sozinha?” Quando isso acontece, a collab ganha força cultural, emocional e comercial. Hoje as collabs fazem parte da estratégia da BT tanto como expansão de público quanto como construção de marca. Elas ajudam a colocar a BT em novos territórios, novas conversas e novas experiências. Mas eu também acredito muito em coerência. Nem toda marca precisa colaborar com todo mundo. As melhores parcerias são aquelas em que existe verdade estética, emocional ou até comportamental.4. Com a parceria com a Kiss New York e esse olhar mais voltado para fora, quais são os próximos passos da internacionalização da marca? Quais mercados são prioridade hoje?
O primeiro passo foi estrutural. Antes de pensar em distribuição global, precisávamos preparar a marca para isso: embalagem bilíngue, posicionamento mais internacional, cadeia produtiva, branding e construção de portfólio. Agora entramos em uma fase mais prática de expansão. Os Estados Unidos são um foco importante, até pela conexão com a Kiss, mas eu também vejo muito potencial em mercados que valorizam inovação, performance e identidade. E existe uma coisa que é muito importante pra mim nesse processo: Eu não quero que a BT vá para fora tentando parecer uma marca americana. A BT já nasce global em muitos aspectos. Os nomes dos produtos, a linguagem visual, o design, tudo isso já conversa com um universo internacional há muito tempo. Mas o que eu quero levar para o mundo é uma visão mais sofisticada da beleza brasileira. Porque durante muito tempo a Brazilian Beauty foi reduzida a um estereótipo. E ela pode ser muito mais do que isso. Ela pode ser tecnologia, performance, pigmentação, duração, inovação, sensorialidade. O Brasil tem um consumidor extremamente exigente. Isso força nossas marcas a desenvolverem produtos com alta performance, principalmente em textura, fixação e adaptabilidade. Então o meu objetivo é que a beleza brasileira seja percebida globalmente da mesma forma que hoje olhamos para a beleza coreana, europeia ou americana: como uma indústria potente, criativa e tecnologicamente relevante.5. Você inaugurou recentemente o laboratório de inovação da marca. Alguns meses depois, como está o funcionamento desse espaço?
O laboratório nasceu de uma necessidade muito pessoal minha. Eu sempre fui extremamente envolvida no desenvolvimento dos produtos e sentia falta de um espaço onde criação, teste, branding, embalagem e sensorialidade pudessem conversar de forma mais integrada. Hoje ele funciona muito como um núcleo criativo e estratégico da marca. É um espaço onde conseguimos acelerar testes, observar comportamento, validar ideias e aproximar mais os setores. E eu participo muito ativamente. Desde textura, cor, embalagem, naming, campanha, tudo passa muito perto de mim. Porque, no fim, eu acredito que produto bom nasce quando existe coerência entre fórmula, desejo e identidade de marca.
6. Você construiu uma comunidade muito forte antes mesmo da criação da marca. Como trabalha essa relação hoje e qual a importância dela para o crescimento da BT?
A comunidade continua sendo o coração da BT. Eu acho que uma das maiores diferenças da marca é que ela nasceu de conversa antes de nascer de produto. Então até hoje eu acompanho muito feedback, comentário, comportamento, desejo e frustração do público. Claro que hoje existe uma estrutura muito maior e eu não consigo responder tudo como no começo, mas eu ainda faço questão de manter proximidade. Muito produto nasce literalmente de observação real da comunidade. E eu acho que as pessoas percebem quando existe verdade nessa troca.7. Olhando para o futuro, quais são as grandes apostas da marca em produto, tecnologia e construção de marca para os próximos anos?
Eu acredito muito em três pilares: tecnologia, sensorialidade e identidade. O consumidor hoje não quer só performance. Ele quer experiência, significado e conexão. Então vejo a BT caminhando cada vez mais para produtos híbridos, altamente sensoriais e emocionalmente memoráveis. Mas falando especificamente de produto, eu acredito muito em inovação com propósito. Mesmo em um mercado extremamente saturado, eu continuo acreditando que sempre existem gaps. Sempre existe alguma textura que ainda não foi explorada do jeito certo, alguma embalagem que pode melhorar a experiência, alguma solução que ainda não foi pensada. Então a minha maior aposta é continuar olhando para o mercado com curiosidade. É buscar produtos que tenham storytelling, mas que também tenham entrega real. Porque hoje não basta só ser bonito ou viral, o produto precisa performar. Também acredito muito na força da embalagem e da experiência física do produto. A embalagem deixou de ser só proteção e virou parte da construção emocional da marca. E claro, existe uma preocupação muito grande em construir um portfólio robusto e democrático. Eu gosto da ideia de que a BT possa estar em diferentes lugares e alcançar diferentes perfis de consumidor, desde maquiadores profissionais até pessoas que só querem se sentir bem usando maquiagem no dia a dia. No fim, eu acho que o futuro da beleza está justamente nessa combinação entre inovação, desejo e conexão real com as pessoas.
TOP 3
Skincare se torna a categoria de beleza mais digital
De acordo com novo levantamento da Euromonitor International, 37% das vendas globais de skincare serão realizadas por canais online em 2026, percentual que deve chegar a 40% até 2030, o maior índice entre todas as categorias de beleza e cuidados pessoais. O estudo mostra também que a combinação entre transparência de ingredientes, menor risco de compra e maior busca por informações sobre eficácia dos produtos têm impulsionado a migração dos consumidores para o ambiente digital. A popularização da Inteligência Artificial pelas marcas que de beleza, que fornecem análises e dicas de rotinas, também ajudou nesta aceleração. Uma pesquisa feita pela Euromonitor no ano passado, chamada Voice of the Consumer: Digital Shopper Survey, trouxe que 28% dos consumidores já utilizam ferramentas de IA generativa para receber recomendações de produtos. “As marcas que apresentam propostas claras de solução para problemas específicos e contam com evidências confiáveis tendem a ser mais facilmente reconhecidas e recomendadas pelos sistemas baseados em Inteligência Artificial”, afirma Irina Barbalova, líder global de beleza e bem-estar da Euromonitor International. Entre os países que mais consomem, a China lidera com 54% das vendas de skincare feitas online, o que vale US$ 21,2 bilhões. E os Estados Unidos chegam em seguida, com US$ 17,1 bilhões em vendas. O relatório também destaca que mesmo a categoria de fragrâncias, que teoricamente depende da experiência sensorial presencial, também avança rapidamente no e-commerce. Nos Estados Unidos, 52% das compras de perfumes já são realizadas online, e esta porcentagem deve chegar a 63% até 2030.
Natura antecipa metas ESG e investe em startups na América Latina
A Natura divulgou seu Relatório Integrado 2025 mostrando avanços financeiros e socioambientais. A companhia encerrou o ano com receita líquida de R$ 22,2 bilhões e lucro líquido de R$ 974 milhões, mantendo pelo nono ano consecutivo a liderança do mercado de beleza e cuidados pessoais da América Latina, segundo dados da Euromonitor International. O documento mostra também as metas já atingidas do Compromisso 2030. Entre elas, a ampliação do portfólio para 52 bio ingredientes amazônicos, acima da meta de 49 prevista para 2027, e o uso de 30,1% de plástico reciclado em suas embalagens. A companhia também alcançou 100% de rastreabilidade e certificação em cadeias críticas de fornecimento, como papel, mica e óleo de palma, e ampliou sua atuação para 46 comunidades agroextrativistas da Amazônia, acima da meta de 45 prevista para 2030. A empresa também reduziu em 17% suas emissões de carbono, atingiu 94,7% de ingredientes renováveis em suas formulações. “O relatório mostra que é possível combinar crescimento econômico, inovação e impacto positivo. Estamos avançando na construção de um modelo de negócios regenerativo, capaz de gerar valor para a sociedade, para a floresta e para nossos acionistas simultaneamente”, afirmou Ana Costa, vice-presidente de Sustentabilidade, Jurídico e Reputação Corporativa da Natura. Recentemente a Natura também divulgou o lançamento da edição 2026 do Natura Innovation Challenge, um programa de aceleração voltado para startups, marcas independentes e empresas de tecnologia da América Latina, com objetivo de identificar negócios já estruturados e com potencial . BeautyTechs, FemTechs, personalização, Inteligência Artificial e novas experiências de consumo são as áreas buscadas. “Queremos conectar nosso ecossistema a startups, marcas e serviços digitais que entreguem soluções personalizadas para necessidades específicas dos consumidores. Ao combinar nossa infraestrutura tecnológica, nosso centro de P&D e o conhecimento de mercado da Natura, conseguimos acelerar o desenvolvimento de novos negócios e ampliar seu potencial de crescimento”, afirma José Manuel Silva, vice-presidente de Novos Negócios da Natura. As inscrições para o programa estão abertas até 28/6 e devem selecionar entre sete e dez empresas,
As marcas insurgentes no estudo da Bain & Company com a NielsenIQ
Marcas independentes de beleza, cuidados pessoais e nutrição esportiva estão se consolidando como algumas das maiores forças de crescimento do mercado brasileiro. É o que revela a primeira edição nacional do estudo Insurgent Brands Brasil 2026, realizado pela Bain & Company em parceria com a NielsenIQ, que identificou mais de 50 marcas nacionais capazes de crescer muito acima da média de suas categorias e redefinir a dinâmica competitiva do setor. Segundo o levantamento, as chamadas “marcas insurgentes” representam apenas 2% do mercado de bens de consumo, mas já respondem por 20% de todo o crescimento gerado nas categorias analisadas. Em média, essas empresas registram faturamento de R$ 177 milhões e crescem mais de dez vezes acima do desempenho de seus segmentos. Enquanto as categorias avaliadas avançaram, em média, 5% entre 2024 e 2025, as marcas insurgentes registraram expansão de 61% no mesmo período. As insurgentes cresceram 38% em volume vendido, contra retração de 2,2% das demais. No segmento de cuidados pessoais, foram destacadas marcas como Creamy, Principia, Sallve, Boca Rosa, Mari Maria Makeup, Ollie, Pink Cheeks, Herbíssimo, Lola, Vizzela e Widi Care. As marcas não foram colocadas em um ranking. O relatório também traz a categoria de suplementos e nutrição esportiva, com destaque para Mais Mu, Vitafor, TRUE, Bold, Good Vit, Maxinutri e Adaptogen, impulsionadas pelos mercados de bem-estar e longevidade a alimentação saudável.; . O desempenho dessas empresas acompanha a expansão dos mercados de wellness, alimentação funcional, longevidade e performance física. A Bain destacou que o sucesso dessas marcas está apoiado em cinco pilares: velocidade de vendas, criação de novas fontes de receita, foco obsessivo no consumidor, portfólios simplificados e elevada agilidade operacional. E pelas redes sociais, elas crescem com sua comunidade e pela voz de influenciadores, mesmo com o fato de que as insurgentes tenham preços, em média, 2,1 vezes superiores aos do mercado.
E mais:
. A Maybelline New York inaugurou sua loja oficial no TikTok Shop Brasil, pelo qual consumidores podem descobrir e comprar produtos diretamente pelo feed. Para a estreia, a marca fez um evento com afiliadas de beleza e lançou uma competição que deve mobilizar mais de 100 mil criadoras de conteúdo.
. A Granado amplia sua presença internacional com uma parceria inédita com a rede francesa Copains, em Paris. Inspirada na fragrância Yes, Nós Temos Banana!, a colaboração transforma o universo da perfumaria em uma experiência gastronômica com sobremesas e bebidas exclusivas criadas para a temporada de primavera-verão europeia. Ao mesmo tempo, a Granado faz dedicadas à fragrância em uma pop-up instalada na tradicional loja de departamentos Printemps Haussmann.
. Eudora Siàge anuncia sua entrada estruturada no universo das corridas de rua e estará presente em 32 etapas do circuito Track&Field Run Series de 2026, com expectativa de impactar mais de 133 mil atletas. De acordo com a Strava, o Brasil registrou crescimento de 800% na criação de clubes de corrida em 2025.
. Para aumentar sua presença no varejo físico, a M.A.C inaugura uma nova loja no Mooca Plaza Shopping, em São Paulo. A unidade marca a 58ª operação da marca no país e a 13ª na capital paulista. Além disso, a marca anunciou a cantora Chappell Roan como o novo rosto da plataforma VIVA GLAM. A artista, que já é embaixadora da marca, assina uma coleção limitada de produtos para os lábios.
. A Vult apresenta uma nova fase da plataforma capilar Vult Resolve com o conceito “Sua beleza não é um segundo expediente”, para trazer para o centro da discussão o chamado “beauty burnout”. A estratégia da marca começa nas redes sociais com rotinas descomplicadas e segue para os pontos de venda, que ganham papel central ao conectar a conversa sobre simplificação aos produtos da marca.
. Natura Humor inicia uma nova fase com o lançamento da plataforma MoodBoosters, que conecta perfumaria, bem-estar emocional e inovação científica e uma coleção de fragrâncias desenvolvidas para potencializar sensações como ânimo, confiança e vibração positiva. Um estudo com 160 consumidoras ajudou a avaliar as percepções emocionais associadas às fragrâncias e orientou o desenvolvimento do projeto feito pelo Centro de Inovação no Núcleo Olfativo da Natura em parceria com especialistas em neurociência. .
. Dove Hair estreia no São João de Caruaru, em Pernambuco, com ativações dos óleos bifásicos Bond Repair e UV Repair & Glow + Ferúlico. Haverá experimentação, relacionamento com o público e distribuição de brindes.
. Madonna é a nova embaixadora global da Kiko Milano. De acordo com a marca, a escolha reforça sua capacidade de dialogar com diferentes gerações de consumidores ao redor do mundo.
. A Laneige inaugurou sua primeira flagship global em Seul. O espaço leva ao consumidor ferramentas de Inteligência Artificial para analisar as características da pele dos consumidores e recomendar rotinas e produtos
. A BAIMS concluiu o primeiro ciclo da campanha “For Clean Oceans’, realizada em parceria com a CleanHub, com a retirada de 2,4 toneladas de resíduos plásticos de regiões costeiras vulneráveis. Segundo a marca, o volume corresponde a 20 vezes a quantidade de plástico colocada em circulação por suas embalagens durante o período.
. A Dermage lançou uma campanha de satisfação garantida para o protetor solar Photoage Water Sport. Consumidores que adquirirem o produto até 30/6 e não ficarem satisfeitos poderão solicitar reembolso integral em até dez dias após a compra. Desenvolvido para acompanhar atividades físicas e exposição ao ar livre, o produto combina FPS 50, resistência à água e ao suor e ativos como niacinamida e ácido hialurônico.
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