Cheiro de chuva: perfumes que evocam a sensação de terra molhada
Fragrância

Cheiro de chuva: perfumes que evocam a sensação de terra molhada

por Larissa Nara

foto: Dominykas para Pexels

Se antes eram a maresia, a brisa fresca e as paisagens à beira-mar que inspiravam a criação de fragrâncias com acordes aquáticos, agora é a chuva que ganha protagonismo em uma nova leva de perfumes que evocam o cheiro de terra molhada, o frescor do orvalho e a umidade que fica suspensa no ar depois de uma tempestade.

Lá fora, o interesse por essa atmosfera já aparece nas buscas: segundo dados da Spate citados pela Allure, a procura online por fragrâncias de petrichor cresceu 94,4% em um ano. O termo, que vem do grego petra (“pedra”) e ichor (“sangue dos deuses”), descreve o aroma úmido e terroso que surge quando a chuva encontra o solo seco. À publicação, Douglas Little, perfumista e fundador da Heretic Parfum, definiu a sensação como o cheiro da terra “exalando”.

Segundo a Allure, para reproduzir esse efeito na perfumaria, a geosmina — molécula associada ao cheiro característico de terra molhada — é uma das possibilidades. Mas a sensação de chuva também pode ser construída a partir de ingredientes como vetiver, patchouli, notas marinhas e aldeídos, que ajudam a evocar a vegetação e terra úmidas. Lá fora, marcas como D.S. & Durga, Loewe e Uni já entraram na onda.

Por aqui, a Natura lançou, em 2024, Ekos Ryos Chuva, enquanto a Amyi acaba de apresentar o Amyi 7.26, inspirado na Amazônia paraense e construído em torno de um acorde que evoca a atmosfera úmida, verde e elétrica que antecede uma tempestade. A seguir, essas e outras belezinhas para experimentar:

Ekos Ryos Chuva, Natura, R$ 200
Aqui, o frescor foge do cítrico óbvio e aposta numa sensação mais orgânica: o cheiro de terra molhada depois da chuva, misturado ao verde úmido das plantas amazônicas. Na saída, notas de rio e chuva ganham um toque cítrico suave de mandarina; no coração, folha de violeta, jasmim sambac e rosa trazem um verde floral. No fundo, vetiver, copaíba e breu-branco acrescentam calor e um toque terroso. O resultado é refrescante e leve, mas com presença — como um banho de natureza.

Amyi 7.26, Amyi, R$ 860
Inspirado na Amazônia paraense, o perfume captura o instante que antecede uma tempestade, quando o ar fica úmido, verde e carregado. Criada pelo perfumista Samuel Moraes, a fragrância abre com cítricos e puxuri, ingrediente aromático e especiado que traz luminosidade à composição. No coração, um acorde de chuva combina notas verdes, aromáticas e florais para evocar a umidade e o frescor desse momento. Patchouli silvestre, vetiver, sândalo e notas balsâmicas aparecem ao fundo, trazendo profundidade e reforçando a sensação de uma floresta úmida e envolvente.

Petrichor, EAUX Parfums, R$ 318
Aqui, a inspiração está justamente no encontro entre a chuva e o solo. Criado para perfumar o ambiente, combina um acorde de gotas de chuva com musgo de carvalho, vetiver e patchouli, construindo uma atmosfera úmida, verde e terrosa. Banho de floresta em casa!

Baie 19, Le Labo, R$ 2.365
Para recriar o tal petrichor, combina zimbro seco, patchouli e folhas verdes, imaginados como se estivessem encharcados pela chuva. O resultado é fresco, verde e úmido, evocando justamente o efeito da água sobre a terra.

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