B-Beauty entra no radar global, mas precisa ir além da brasilidade e outras notícias
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B-Beauty entra no radar global, mas precisa ir além da brasilidade e outras notícias

por Vânia Goy

foto: Sallve (divulgação)

1. B-Beauty entra no radar global, mas precisa ir além da brasilidade
O Business of Fashion dedicou uma reportagem ao avanço da beleza brasileira no mercado internacional. Segundo dados citados pelo veículo, o setor movimentou US$ 24,56 bilhões em 2025 e as exportações somaram US$ 633,6 milhões nos primeiros sete meses de 2026, alta de 8,4% e recorde para o período em dez anos. Marcas como Granado, Skala, Lola Cosmetics, Costa Brazil e Gente Beauty ajudam a construir o reconhecimento, especialmente nas categorias de cabelos e cuidados corporais. O movimento ganha organização com iniciativas como a B-Beauty & Wellness, de Patricia Lima, que recentemente levou marcas brasileiras à feira Bite, em Nova York.

“As cinco marcas que levamos à BITE, em Nova York, abriram caminho para esse novo momento da beleza brasileira se apresentar ao mundo com uma só voz. Cada uma com sua identidade, mas com a consciência de que, juntas, conseguem abrir portas que seriam muito mais difíceis de abrir sozinhas”, diz.

A reportagem ainda levanta ressalvas importantes, já antecipadas aqui em 2022, no episódio onde apontamos que beleza brasileira tinha tudo para virar hit lá fora. O desafio é transformar o interesse internacional pela cultura brasileira em negócios consistentes, sem reduzir nossa indústria a uma imagem que inclui cenários tropicais, praias, ingredientes tropicais e o culto ao corpo. A diversidade de tipos de cabelo e tons de pele, o desenvolvimento de produtos para diferentes climas e a capacidade de inovação são vantagens competitivas. “Os desafios são enormes, envolvem regulação, distribuição, escala, e as marcas estão conscientes para encarar esse caminho. Vem muito trabalho pela frente, mas existe também uma percepção compartilhada de que a hora é agora. Porque o mais difícil a gente já tem, que é o desejo pela beleza brasileira. O mundo quer conhecer o que a gente cria. Nosso papel, com BBeauty, é transformar esse interesse em espaço, presença e negócio para as nossas marcas”, finaliza Patricia.

2. Cimed investe R$ 80 milhões em marca própria de K-beauty
A Cimed anunciou a Mili, marca desenvolvida com a sul-coreana GDK Cosmetics. A linha estreia com sete produtos, enquanto a empresa planeja ampliar o portfólio para até 100 itens, boa parte deles com preços entre R$ 100 e R$ 200. Segundo reportagem do C-Level, da Folha de S.Paulo, a empresa tem presença em mais de 90 mil farmácias brasileiras, equivalentes a 98% dos estabelecimentos do setor. A Cimed projeta faturar R$ 150 milhões com a Mili no primeiro ano, de acordo com a Veja. O interesse por produtos de beleza só cresce no Brasil: recentemente, mostramos aqui que as importações brasileiras de cosméticos sul-coreanos cresceram 951% em 2025, chegando a US$ 54,3 milhões, segundo o Korea Customs Service. O lançamento, porém, provocou uma reação da Mili S.A., fabricante brasileira de produtos de higiene, que afirma ter a marca registrada no INPI desde 1986 e anunciou que adotará medidas para proteger seus direitos. Em resposta, a Cimed declarou que a denominação Mili Cimed deriva de Milimetric, sua marca de estética lançada em 2023, e que cumpriu os procedimentos legais de registro.

3. O Boticário mapeia 1,13 milhão de menções que associam perfumes a emoções
Um levantamento de social listening divulgado pelo Boticário identificou mais de 4,4 milhões de menções a perfumes, cheiros e aromas em conversas públicas online no Brasil. Cerca de 1,13 milhão continham associações com emoções, memórias ou experiências. No recorte qualificado de 217.259 publicações, amor e paixão representaram 39% das referências, conforto e calma, 28%, saudade e nostalgia, 17,5%. Ouvir o consumidor sempre fez parte do desenvolvimento de produtos, mas a tecnologia permite fazer isso em outra escala e velocidade. Em uma newsletter recente, também analisamos o paradoxo das redes sociais terem se tornado um espaço tão importante para falar de perfumes, mesmo sem ninguém conseguir sentir os cheiros pela tela.

4. Menopausa ganha atenção da indústria de beleza, mas consumidoras ainda desconhecem seus efeitos na pele
Uma pesquisa da Galderma, realizada pela Perspectus Global com 5.090 mulheres que vivenciam ou vivenciaram a perimenopausa ou menopausa, revelou que 56% atribuíram inicialmente as alterações da pele ao envelhecimento. Apenas 29% reconheceram a relação com a menopausa e 70% chegaram a comprar produtos anti-idade para lidar com essas mudanças. O levantamento, realizado no Brasil, Estados Unidos, Reino Unido e China, mostra o quanto ainda falta informação sobre os efeitos das alterações hormonais na pele. Por aqui, a Avon acaba de entrar nessa conversa com Renew MenoPro, linha de quatro produtos desenvolvida especificamente para o climatério. Destaque para o hidratante facial que promete reduzir em até 4°C a temperatura da pele e o primeiro hidratante íntimo da marca, voltado ao ressecamento da pele da região vulvar – ótimo exemplo de como a indústria começa a olhar para necessidades que vão além das faciais.

5. Natura amplia reciclagem e oferece descontos por embalagens de qualquer marca
A Natura expandiu o programa NaturaRecicla para suas mais de mil lojas no Brasil. A cada três embalagens vazias de cosméticos, de qualquer marca, o consumidor recebe R$ 15 de desconto em compras acima de R$ 150. A iniciativa também tem resultados comerciais interessantes: uma ação anterior movimentou R$ 4,45 milhões em vendas, com tíquete médio cerca de 50% maior.

E mais:


. Beleza na Web abre sua primeira loja física no Nordeste
A Beleza na Web inaugurou sua 13ª loja física, no Shopping Recife, em Pernambuco. A operação reúne mais de 70 marcas e marca a chegada de Chanel às lojas físicas da varejista. A unidade também traz categorias de beleza asiática, perfumaria árabe e espaços de personalização de presentes.

. OMS publica primeiras diretrizes globais para obesidade infantil e adolescente
A Organização Mundial da Saúde publicou suas primeiras diretrizes globais para o cuidado da obesidade em crianças e adolescentes. Segundo a entidade, 170 milhões de pessoas entre 5 e 19 anos viviam com obesidade em 2024. A prevalência nessa faixa etária quadruplicou desde 1990, passando de 2% para 8%. A OMS prioriza intervenções estruturadas em alimentação, movimento, comportamento e saúde mental. Não recomenda medicamentos ou cirurgia para crianças de até 9 anos e, para adolescentes, considera determinadas intervenções sob condições específicas.

. Galderma anuncia acordo para comprar ZO Skin Health
A companhia suíça
assinou acordo para adquirir 100% da ZO Skin Health, fundada pelo dermatologista Zein Obagi pelo valor de US$ 1,5 bilhão. A ZO reúne mais de 40 produtos e distribui seu portfólio por uma rede superior a 16.500 contas, incluindo médicos, clínicas, med spas e canais online, em mais de 40 países.

. Boots é vendida por US$ 8,9 bilhões
A Wittington Investments, holding da família canadense Weston, e a Fairfax Financial anunciaram acordo para comprar as operações da Boots no Reino Unido e na Irlanda, incluindo a rede de óticas, a No7 Beauty Company e negócios na Tailândia.

. Franciny Ehlke assume controle integral da FRAN
Depois de cinco anos de licenciamento com a MBOOM, Franciny Ehlke assume integralmente sua marca de beleza, que será relançada em novembro com exclusividade na Sephora Brasil. O portfólio passa de 50 para 94 produtos e deve contar com skincare em 2027. A mudança acompanha um movimento entre marcas criadas por influenciadoras onde suas fundadoras buscam assumir também o controle dos negócios.

. A Mantecorp Skincare adquire direitos de nome da São Paulo Fashion Week (SPFW). O acordo vale por sete anos e, a partir de 2027, dará nome à principal semana de moda do país.

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