Longevidade
K-Beauty como destino: a ascensão do turismo médico na Coreia do Sul
por Manuela Aquino
foto: Nadezhda Moryak para Pexels
A K-Beauty já conquistou espaço nas nécessaires e prateleiras do mundo todo. Agora, a beleza coreana impacta também o turismo. Na Coreia do Sul, esse movimento ganha força com o chamado “glow tourism”, no qual tratamentos dermatológicos e procedimentos estéticos estão deixando de ser apenas um item extra no roteiro para se tornarem o próprio motivo da viagem. Segundo dados do Ministério da Saúde sul-coreano citados pela Business of Fashion, o país recebeu mais de 2 milhões de pacientes estrangeiros em 2025 — quase o dobro dos 1,17 milhão registrados em 2024. “O crescimento do número de pacientes estrangeiros está superando o crescimento do número de turistas estrangeiros”, afirmou Hong Seung-wook, diretor de negócios globais de saúde do Korea Health Industry Development Institute, à publicação.
E não se trata apenas das cirurgias plásticas que ajudaram a construir a fama do país nesse mercado, como rinoplastia e blefaroplastia. O cardápio atual inclui terapia de luz vermelha, LED, lasers, ultrassom para lifting e definição da mandíbula, tratamentos de firmeza facial, Botox e outros injetáveis, além de protocolos de antienvelhecimento.
Em uma publicação recente, a Vogue Business chamou atenção para outra face desse movimento: as “glowcations”, viagens programadas com a ideia de voltar se sentindo (e aparentando) melhor — segundo a publicação, na Coreia do Sul, a dermatologia concentrou 62,9% dos pacientes estrangeiros registrados em 2025. Mais do que simplesmente marcar uma consulta durante as férias, esses visitantes passam a montar roteiros de beleza que podem incluir procedimentos dermatológicos não invasivos, análise de coloração pessoal, clareamento dental e cuidados com o couro cabeludo, muitas vezes com o apoio de serviços de concierge especializados. A Aneue Concierge, por exemplo, cobra US$ 1.500 por seu pacote mais procurado, que inclui recomendações de produtos e pode envolver procedimentos profissionais de skincare, massagens e cuidados com o couro cabeludo.
Do skincare ao check-in
Já falamos aqui sobre a ascensão do turismo de longevidade, em que a promessa das férias não é mais só descanso, mas sim voltar melhor do que se chegou, depois de fazer exames avançados, protocolos de nutrição funcional e programas personalizados no lugar do all-inclusive. Na Coreia do Sul, esse movimento começa a aparecer também na hotelaria, com hotéis que passam a abrigar clínicas dermatológicas em seus próprios endereços. A Lotte Hotels & Resorts, um dos nomes mais conhecidos da hotelaria do país, reformulou recentemente seu principal hotel em Sogong-dong, no centro de Seul. Reaberto como Grand Lotte Seoul, o empreendimento reduziu o número de quartos de sua torre principal, de 737 para 590, e ampliou as acomodações. Parte do espaço reformado também deve receber clínicas ambulatoriais, incluindo serviços de dermatologia.
Já o INSPIRE Entertainment Resort, localizado próximo ao Aeroporto Internacional de Incheon, também aposta nessa aproximação entre hotelaria e turismo médico. O complexo de luxo abriga, desde o ano passado, a Midas Plastic Surgery Stem Cell Clinic, especializada em cirurgia plástica e tratamentos associados ao uso de células-tronco. Entre os procedimentos oferecidos estão o rejuvenescimento facial com enxerto de células-tronco autólogas, que custa entre US$ 1.900 e US$ 3.000, e o aumento de mama pela técnica FS Scarless, com valores de US$ 5.000 a mais de US$ 10.000. A clínica oferece ainda coordenação da viagem e acompanhamento pós-cirúrgico, além de toda estrutura do resort disponível no pacote.
Além da fronteira
O movimento acompanha a expansão do turismo médico em escala global. Avaliado em US$ 97,3 bilhões em 2022, o mercado deve quase triplicar em uma década e alcançar US$ 273,7 bilhões em 2032, segundo dados da Allied Market Research publicados pela Healthcare Asia Magazine. A região Ásia-Pacífico, que já concentrava mais de um terço desse mercado em 2022, deve registrar o crescimento mais acelerado entre as regiões analisadas, a uma taxa anual de 10,8%.
No Brasil, o turismo médico também não é novidade. Segundo a Brain Inteligência Estratégica, o turismo de saúde cresce entre 15% e 25% ao ano no país e deve movimentar cerca de US$ 13 bilhões entre 2023 e 2030. São Paulo, inclusive, se prepara para dar mais um passo nessa direção. De acordo com a coluna da Alice Ferraz, a cidade deve receber, o primeiro hotel de luxo do país integrado ao turismo médico: o hotel do Grupo Emiliano terá 142 unidades adaptadas para receber pacientes que viajam à cidade para exames, cirurgias eletivas e tratamentos de longa duração.
