Belezinha Responde: como o ciclo menstrual pode influenciar nos cuidados com a pele?
Saúde

Belezinha Responde: como o ciclo menstrual pode influenciar nos cuidados com a pele?

por Danielle Sanches

foto: Alex Batista

A pele é o maior órgão do corpo humano e a primeira linha de defesa contra bactérias, toxinas e qualquer outro perigo que possa machucar nossos órgãos internos. Mas, de tanto vê-la ali, todos os dias, é fácil banalizar o cuidado e esquecer que ela, também, é uma parte “viva” do nosso corpo. Isso quer dizer que, assim como uma comida estragada pode causar uma dor no estômago ou a falta de água pode maltratar nossos rins, a pele também é impactada pelas influências do que comemos, bebemos e até das nossas emoções.

Para as pessoas que menstruam, além de tudo isso, há um fator a mais que vai fazer com que as necessidades da pele mudem ao longo do mês: o ciclo menstrual, um processo conduzido justamente por oscilações hormonais. “Hormônios influenciam na retenção da hidratação da pele, no aumento da oleosidade e de pelos e ainda na produção de colágeno”, afirma a dermatologista Vivien Yamada, de São Paulo.

Um corpo de fases
Para entender, portanto, como a pele pode ter necessidades diferentes ao longo do mês, é importante primeiro compreender o próprio ciclo menstrual e as oscilações hormonais que ocorrem por causa dele.

Tudo começa na fase folicular, marcada pelo primeiro dia da menstruação. Nela, os níveis de estrógeno e progesterona estão baixos, mas há a produção do FSH (hormônio folículo-estimulante) pela hipófise, uma glândula do tamanho de um ervilha localizada no cérebro. Enquanto os folículos se desenvolvem, eles produzem estrógeno. Este, por sua vez, é responsável por aumentar a proliferação de células da parede que reveste o útero – o endométrio – e, assim preparar o corpo para abrigar uma eventual gravidez.

Chega então a fase ovulatória, quando o folículo se rompe e é liberado para ser fecundado. Em ciclos regulares, ela ocorre por volta do 14° dia após a menstruação. A partir do 15° dia, já se inicia a fase lútea. É aqui que o caos começa. O folículo liberado se transforma em uma estrutura chamada corpo-lúteo, que vai secretar estrógeno e progesterona para favorecer a sua fecundação. “A partir do dia 14, a progesterona vai sendo produzida até atingir o pico, por volta do 21º dia do ciclo, quando começa a cair”, afirma Joice Armelin, ginecologista e obstetra, de São Paulo.

Sem fecundação, o corpo-lúteo se desfaz, os níveis de progesterona e estrógeno caem e o útero descama, provocando sangramento. Hello, hello, menstruação.

Ciclos do corpo. Ciclos da pele
O que toda essa revolução corporal que acontece mês a mês em quem menstrua nos ensina é que existem aqui dois protagonistas: o estrógeno e a progesterona, hormônios considerados essenciais para que esse ciclo ocorra. São eles também os responsáveis por provocar as mudanças ao longo do ciclo menstrual na pele. Durante a fase folicular, o estrógeno aumenta a hidratação e estimula a produção de colágeno. Já a partir da ovulação, a progesterona, ao contrário, aumenta a produção de óleo nas glândulas sebáceas e a propensão à acne. “É um período com maior risco de espinhas e de manchas, já que a progesterona estimula a hiperpigmentação da pele”, alerta a dermatologista Carla Vidal, de São Paulo.  

Esse processo culmina na TPM, quando os níveis de estrógeno e progesterona caem e deixam os hormônios andrógenos, como a testosterona, em evidência, fazendo aumentar ainda mais a produção de sebo e a acne. “É também uma fase inflamatória, ou seja, aumenta a predisposição para ressecamentos, irritações e acne inflamatória”, diz Vidal. Não raro, por exemplo, é durante esse período que algumas pessoas relatam sentir a pele mais sensível, com piora de quadros de dermatite, eczema e rosácea. Foi o que mostrou um estudo, feito na Holanda, relacionando o surgimento de irritações, coceiras, vermelhidão e ressecamento na pele de quem menstrua logo antes do período chegar.

Por que isso é importante?
Porque, para além de saber qual é seu tipo de pele, manter uma rotina de skincare adequada também tem a ver com observação e entender os sinais que a pele manda a partir das fases da vida, das nossas emoções e até como ela reage ao estresse e ao ambiente. Observando as mudanças que ocorrem no corpo em cada fase (do ciclo e da vida), é possível sincronizar as etapas de cuidado de acordo com as necessidades do seu corpo. No caso da TPM, por exemplo, quando é sabido que o caos pode se instalar com força, vale uma atenção extra e, quem sabe, incorporar um produto a mais ou trocar por outro com diferentes ativos.

De acordo com a dermatologista Carla Vidal, no entanto, o cuidado com a pele começa não na pia do banheiro, mas na cozinha. “Incluir muitos alimentos vermelhos e alaranjados e até chocolate 70% cacau, que são ricos em antioxidantes, auxilia nesse momento a reduzir a inflamação”, explica. Outro ponto é manter-se longe dos carboidratos refinados – especialmente doces, tão desejados nessa fase– que podem piorar a oleosidade da pele nessa fase.

A rotina de limpeza, tonificação e hidratação/tratamento também deve ser intensificada com novas armas. “O uso de sabonetes e séruns com ácido salicílico, ácido glicólico e retinoides auxilia no controle da oleosidade e previne as espinhas”, afirma Yamada. E, se for o caso, vale até passar no dermatologista para checar se a rosácea ou a acne inflamatória não precisa de algum ativo mais potente (e prescrito) para não deixar marcas ao ir embora.

Todo ciclo tem seu fim
As oscilações hormonais do corpo que menstrua têm um fim marcado para acontecer: é a menopausa, como é chamada a data da última menstruação. Quando ela ocorre, há uma queda de estrógeno e progesterona que também provoca mudanças significativas na pele. Uma delas, sem dúvida, é a queda na produção de colágeno e o aumento da permeabilidade da pele – ou seja, ela perde água mais facilmente e, por isso, se torna ressecada.

Nesse sentido, afirma Vidal, ativos como ácido hialurônico, resveratrol e antioxidantes são fundamentais para repor a hidratação da pele do rosto e corpo. Curiosamente, no entanto, é também possível experimentar um aumento da oleosidade e mais poros abertos – problemas que também podem ser tratados com o uso de ácidos glicólico e salicílico. Já Armelin, recomenda também olhar para os hormônios. “Quando chegamos nessa fase, o que pode melhorar a pele é o uso de reposição hormonal, sempre feita com orientação médica”, finaliza a ginecologista e obstetra.

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