Brazilcore, B-Beauty e o novo hype do Brasil
Futuro

Brazilcore, B-Beauty e o novo hype do Brasil

por Redação Belezinha

foto: Marina Sena para Cult Gaia (divulgação)

O Brasil está em alta — ainda mais em semana de Oscar, com a torcida pelo ator Wagner Moura, indicado ao prêmio de melhor ator pelo filme Agente Secreto. Nos últimos anos, o reconhecimento do cinema brasileiro no circuito internacional tem ajudado a reforçar uma percepção que já vinha aparecendo em outras frentes da cultura pop: a cultura brasileira voltou aos holofotes.

Das entrevistas cheias de bossa de Wagner Moura e Fernanda Torres a veículos internacionais à circulação frequente de celebridades como Shawn Mendes, Rosalía e Dua Lipa pelo país desde o ano passado, o fascínio estrangeiro pelo estilo de vida brasileiro voltou a crescer. Até o Carnaval de rua no Rio chegou a ser tema de cobertura recente no New York Times, sendo descrito como uma explosão estética e cultural que mistura música, corpo e performance coletiva. Não à toa, o Brasil registrou em 2025 um recorde histórico de mais de 9 milhões de turistas internacionais, crescimento de cerca de 40% em relação ao anual estabelecido até então, segundo dados da Embratur.

Mais do que visual
Mais do que uma tendência visual isolada, a volta do Brazilcore — que teve sua primeira fase em 2023, com o boom de camisetas da seleção, cores vibrantes e referências à cultura popular — se insere em um momento marcado por tensões estéticas. Nos últimos anos, o universo da beleza foi dominado por narrativas de ordem e controle, como a clean girl aesthetic, o quiet luxury e outras expressões visuais baseadas em minimalismo, neutralidade e uma feminilidade altamente polida. Agora, outras linguagens surgem como contraponto: maquiagens latinas mais dramáticas, o chamado messy girl e estéticas maximalistas sinalizam um desejo de excesso e imperfeição.

É esse o território que o episódio “Conservadorismo” do podcast Ciao, Bela mapeia ao discutir como escolhas estéticas podem refletir transformações políticas e culturais mais amplas. Em um cenário global em que discursos conservadores ganham força, celebrar o exagero, a sensualidade ou o caos visual pode ser também uma forma de dizer algo sobre quem se quer ser:

Nesse contexto, a ascensão da latinidade ganha novos significados. A estética latina (associada a glamour, corpo, cor e intensidade) passa a circular como uma alternativa visual ao que dominou a última década. E o Brasil, com seu imaginário de calor, praia, música e exuberância, surge como um dos principais símbolos desse movimento. Na moda, o Brasil anda presente em campanhas recentes campanhas de Cult Gaia e Paco Rabanne, fotografadas no Rio. A cidade também virou destino de expansão: a H&M acaba de abrir sua primeira loja por lá.

B-Beauty
Na beleza, o sucesso de marcas como a Sol de Janeiro é um dos exemplos mais claros dessa exportação estética. Criada por fundadores estrangeiros, mas inspirada na cultura de praia brasileira, a marca construiu um império global a partir de produtos que evocam o chamado Brazilian glow — pele iluminada, fragrâncias solares e uma sensualidade tropical. Dos últimos hits, o body splash Cheirosa 62, que anda viralizando no TikTok.

Outras marcas também miram esse imaginário. A Bath & Body Works, prevista para chegar ao Brasil no segundo semestre, acaba de lançar a linha Viva Brazil, com velas e produtos corporais de apelo tropical — incluindo nomes como “Dreaming of Rio”. A chinesa Shein, por sua vez, já trouxe coleções de beleza da sua linha Sheglam específicas para o Carnaval brasileiro, em parceria com Anitta. A expansão internacional de perfumarias brasileiras tradicionais, como a Granado (que abriu sua primeira loja nos Estados Unidos em 2024), reforça o interesse crescente por rituais, ingredientes e narrativas associadas ao país.

O desejo pela chamada Brazilian Beauty ultrapassa a estética ou as fórmulas e se conecta a uma ideia de beleza ligada à sensorialidade e, claro, eficiência. Para Renata França, conhecida globalmente por sua técnica de drenagem linfática, não há dúvida: “Lá fora, Brasil é sinônimo de beleza e a estética brasileira é o que há. Serviços como depilação, unhas e drenagem são muito reconhecidos pela eficiência e, no caso da massagem, a chancela de ter feito curso aqui aumenta muito o ticket e interesse pelos serviços”, diz a especialista que se tornou uma das principais referências em serviços estéticos brasileiros e que acaba de embarcar em uma turnê de formação de profissionais na Europa, tamanha a demanda.

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