Celso Kamura celebra 50 anos de carreira: “Tenho a sensação de que estou começando uma nova etapa”
Notícias

Celso Kamura celebra 50 anos de carreira: “Tenho a sensação de que estou começando uma nova etapa”

por Manuela Aquino

foto: Celso Kamura (divulgação)

Ao longo de cinco décadas, Celso Kamura consolidou seu nome como uma das maiores referências da beleza no Brasil, transitando entre os universos da moda, da televisão, das revistas e dos principais salões do país. Sua assinatura une técnica, criatividade e constante atualização, enquanto sua trajetória passa por clientes exigentes, bastidores de desfiles e celebridades. “Quando olho para esses 50 anos, vejo que nunca imaginei chegar onde cheguei. Naquela época, a gente fazia as coisas simplesmente pelo prazer de fazer. Meu objetivo era deixar as mulheres mais bonitas. Em nenhum momento pensei em fama ou reconhecimento. As coisas simplesmente aconteceram. Acho que toda a minha trajetória foi construída dessa forma: trabalhando com prazer, fazendo aquilo que eu amava e deixando que a carreira fosse me levando para novos caminhos”, diz o beauty stylist ao Belezinha.

Ao longo da carreira, conquistou a confiança de nomes como Angélica, Ana Hickmann e da ex-presidente Dilma Rousseff que, segundo ele, foi responsável por ampliar seu reconhecimento junto ao grande público. Também assinou a beleza de desfiles de estilistas como Alexandre Herchcovitch, Samuel Cirnansck e Vitorino Campos, expandiu a marca C.Kamura com uma linha de produtos, criou uma escola para formar profissionais e iniciou a expansão internacional do salão, com uma unidade em Portugal. Agora, enquanto prepara a mudança do salão para um novo endereço em São Paulo — da Rua da Consolação para a Rua Estados Unidos, 1240, em São Paulo — e finaliza sua biografia, Kamura conversa com o Belezinha sobre sua trajetória, as transformações da beleza e os próximos desafios.

1. Quando você olha para esses 50 anos de carreira, quais lembranças vêm primeiro à sua memória?
Eu me lembro muito do começo, de descobrir o salão. Até os meus 16 anos eu trabalhava em um escritório de contabilidade. Um amigo me chamou para fazer um teste em um salão grande, no Ipiranga, e eu nunca tinha entrado em um salão daquele porte. Quando entrei, achei que aquele era realmente o meu mundo. Antes mesmo de fazer o teste, eu já me sentia confortável naquele ambiente. Naquela época o preconceito era muito grande e, quando entrei naquele salão, vi pessoas parecidas comigo e pensei: “Esse lugar é meu. Quero ficar aqui”. Foi ali que eu me encontrei. Até então eu nem sabia que tinha jeito para a profissão. Esse meu amigo me chamou porque estava faltando um maquiador no salão. Nós éramos vizinhos e ele me via me maquiando, maquiando as amigas e me montando. Foi assim que surgiu o convite. Acabei trabalhando um ano como maquiador e, pouco tempo depois, já me tornei cabeleireiro. Foi tudo muito autodidata. Hoje tenho consciência de que, naquela época, era mais fácil aprender, porque a moda era muito mais definida. As clientes iam ao salão para fazer exatamente o que estava na moda. Era um período completamente diferente do que vivemos hoje.

2. Ao longo dessas cinco décadas, houve momentos que mudaram completamente sua trajetória. Quais foram os principais pontos de virada da sua carreira e o que cada um deles representou para você?
Nunca fiz planos muito rígidos para a minha carreira. As coisas aconteceram naturalmente, mas alguns momentos realmente mudaram a minha história. O primeiro deles foi um curso que fiz em Paris, em 1982. Naquela época não existia a globalização que existe hoje. Quem viajava para a Europa voltava praticamente um ano à frente em relação às tendências que chegavam ao Brasil. Aquele curso mudou completamente a minha maneira de enxergar a profissão. Voltei muito mais consciente da missão que tenho de embelezar as pessoas e muito mais orgulhoso de ser cabeleireiro. Entendi que nosso trabalho vai muito além do cabelo; ele mexe diretamente com a autoestima das pessoas. Outro momento muito marcante foi fazer o cabelo da presidente Dilma Rousseff. Eu achava que já era conhecido, mas percebi que era famoso apenas dentro do nosso meio, da moda e da beleza. Quando comecei a atender a Dilma, tudo mudou. Ela me popularizou e passei a ser reconhecido na rua por pessoas que nem frequentavam esse universo. Também considero a mudança do salão do Campo Belo para os Jardins uma grande virada. Eu já tinha um salão consolidado, mas abrir uma unidade nos Jardins ampliou muito a visibilidade do meu trabalho. O interessante é que nenhuma dessas mudanças aconteceu porque eu tinha planejado. Elas surgiram naturalmente. Trabalhei muito e deixei as oportunidades aparecerem. Acho que essa espontaneidade acabou sendo uma das características mais marcantes da minha trajetória.

3. Hoje o seu nome vai muito além da cadeira do salão. Como nasceu a ideia de transformar o C.Kamura em uma marca, criando uma linha de cosméticos, a rede C.Kamura Express, a Escola de Beleza & Negócios e, mais recentemente, levando o negócio para Portugal?
A linha de cosméticos veio antes. Existe há cerca de 20 anos. No começo era um licenciamento muito bem cuidado pelo dono da marca. Nos últimos anos, passamos a participar mais diretamente do negócio, criamos um e-commerce e ampliamos a distribuição dos produtos. A ideia foi permitir que as clientes levassem para casa o mesmo cuidado que recebem no salão, dando continuidade ao tratamento dos cabelos. Eu continuo no salão e gosto muito de atender, mas acho que, de uns dez anos para cá, comecei a me tornar um pouco empresário. A ideia do C.Kamura Express surgiu porque acredito que pessoas de todas as classes sociais têm direito a um serviço de qualidade. Nem todo mundo consegue frequentar um salão de alto padrão, mas isso não significa que essas pessoas não mereçam ter acesso a bons profissionais, bons produtos e um atendimento de qualidade. Depois veio a escola, que é um projeto do qual tenho muito orgulho. Além da formação profissional, ela também tem um importante papel social. O curso para assistentes é totalmente gratuito e oferece oportunidade para quem deseja ingressar na profissão. Gosto de formar pessoas, descobrir talentos e ajudar os profissionais a crescerem. Mais recentemente surgiu Portugal. Foi um convite do Otávio Lamino, um cabeleireiro que trabalhou comigo por muitos anos e se mudou para a Europa durante a pandemia. Há cerca de dois anos ele começou a falar da ideia de abrir um salão C.Kamura em Lisboa. Hoje a unidade já está funcionando e a receptividade tem sido excelente. Temos clientes portuguesas, brasileiras e uma imprensa muito receptiva. É um crescimento orgânico, construído aos poucos, exatamente como aconteceu comigo durante toda a carreira. Já existem planos para novas unidades.

4. Você acompanhou todas as grandes transformações da beleza nas últimas cinco décadas. Dos anos 70 até hoje, o que mais mudou na forma de fazer cabelo, na relação das mulheres com a beleza e na maneira como o mercado evoluiu?
Acho que todas as décadas tiveram personalidade própria e foram importantes. Nos anos 70 apareceram as escovas: era o cabelo arredondado, escovado para dentro e, depois, para fora. Nos anos 80 veio o exagero, com muito volume, permanente, maquiagem marcada e uma estética bastante forte. Os anos 90 trouxeram uma mistura de referências. Ao mesmo tempo em que existia um visual mais minimalista e natural, também havia o grunge, os cabelos extremamente lisos e um visual mais pesado. Hoje vivemos um momento completamente diferente. A beleza ficou muito mais democrática. Existe espaço para quem gosta do cabelo liso, para quem prefere o cabelo crespo, volumoso ou natural. Cada pessoa pode escolher aquilo que faz sentido para ela.

5. Nos últimos anos surgiu uma nova geração de profissionais, fortemente influenciada pelas redes sociais e pelas novas técnicas. Quais características um cabeleireiro precisa desenvolver para construir uma carreira sólida?
As redes sociais mudaram completamente a profissão. Hoje elas fazem parte do nosso trabalho e não dá para ignorar isso. Ao mesmo tempo, fico impressionado com alguns comportamentos. Vejo muitos profissionais produzindo uma quantidade enorme de conteúdo. Às vezes tenho a impressão de que trabalham mais para a internet do que para o salão. Se eu fizesse a quantidade de conteúdo que alguns fazem, não conseguiria atender minhas clientes. Mas também vejo exemplos muito positivos. Tenho profissionais no salão que trabalham o dia inteiro e contam com uma equipe para registrar a rotina. Acho que esse é o equilíbrio ideal: primeiro vem o trabalho; depois, o conteúdo. Mais importante do que estar nas redes sociais é estudar. O profissional precisa ter comprometimento com as clientes, estar disponível, buscar conhecimento o tempo todo e nunca parar de aprender. A técnica ficou muito mais importante. Hoje a profissão exige muito mais repertório do que antigamente. É preciso entender de cabelo, comportamento, tendências e, principalmente, de moda. Sempre digo aos profissionais que a moda alimenta o nosso trabalho. Ela nos ajuda a compreender o momento que estamos vivendo e dá argumentos para orientar melhor as clientes.

6. A moda fez parte da sua trajetória e ajudou a construir sua identidade como profissional. Como essa relação começou e de que forma ela influencia o seu trabalho até hoje?
Na verdade, eu não procurei a moda. Ela foi acontecendo na minha vida. Conheci o Alexandre Herchcovitch quando ele ainda estava começando. Ele me convidou para fazer um desfile e, a partir dali, comecei a trabalhar com ele e nunca mais parei. A moda mudou completamente a forma como enxergo a profissão. Depois que você trabalha com moda, entende que pode criar muito mais e aprende a olhar para a beleza de uma forma diferente. Aqui no salão eu digo para a equipe que não existe certo ou errado. Existe a beleza de cada pessoa. Se uma mulher gosta de um estilo mais clássico ou até de uma coisa que não está exatamente na tendência, ela precisa se sentir bonita daquele jeito. O nosso papel é respeitar a identidade dela e, ao mesmo tempo, tentar trazer um toque de modernidade. Somos um salão tradicional, mas com uma forte identidade de moda. Toda cliente que entra aqui merece sair com alguma atualização, um detalhe que faça diferença, sem perder a própria personalidade. Hoje as tendências aparecem muito rápido, principalmente por causa das redes sociais. Todos os dias surge uma novidade, um corte ou uma cor diferente, por isso é importante saber filtrar o que realmente faz sentido. Nem toda tendência funciona para todas as pessoas. O profissional precisa ter repertório, bom senso e sensibilidade para adaptar aquilo ao estilo de cada cliente.

7. Depois de tantas conquistas, o que ainda sonha realizar?
Sou uma pessoa que deixa as coisas acontecerem. Nunca fiz grandes planos. As oportunidades aparecem e eu procuro aproveitá-las da melhor maneira possível. Acho que ainda vem muita coisa boa pela frente. Recentemente tive a oportunidade de assinar a beleza de uma ópera no Theatro Municipal, uma experiência completamente diferente de tudo o que eu já tinha feito. Adorei e percebi que ainda existem muitos caminhos para explorar. Também acredito muito no crescimento da marca. Vejo a rede de salões se expandindo, a linha de produtos crescendo e novos projetos surgindo naturalmente. Continuarei ligado ao salão, porque é o que amo fazer, mas provavelmente vou dedicar mais tempo ao desenvolvimento dos negócios e da marca. Estamos vivendo um momento muito especial. Aos 50 anos de carreira, tenho a sensação de que estou começando uma nova etapa.

TOP 3

1. Colágeno bioidêntico feito com Inteligência Artificial 
A BASF apresentou dois ingredientes que apontam um novo caminho para a pesquisa em colágeno: o peptídeo NeoHelix Regenerate e o SkinNexus Collag3n, um fragmento de colágeno tipo III bioidêntico produzido por fermentação de leveduras e desenvolvido em parceria com a Bota Biosciences, empresa especializada em biomanufatura orientada por Inteligência Artificial. Segundo a empresa, o ativo possui uma sequência 100% idêntica à do colágeno humano e contribui para a preservação dos estoques naturais da proteína. “Estamos evoluindo dos tradicionais claims de estímulo ao colágeno para abordagens mais avançadas de renovação e preservação da estrutura da pele”, afirmou Lucilene Vieira Nunes, business management da BASF Beauty Care Solutions. Nos estudos apresentados pela companhia, o ingrediente aumentou em 48% os níveis de colágeno tipo I, em 82% os de colágeno tipo III e em 71% os de colágeno tipo V em um modelo tridimensional de pele. Em testes clínicos com mulheres entre 53 e 70 anos, também promoveu melhora da firmeza e redução visível de linhas finas e rugas após quatro semanas de uso, superando um ingrediente de referência utilizado em concentração dez vezes maior. Já o NeoHelix Regenerate reduziu em 41% o colágeno danificado e elevou em 65% os níveis naturais de ácido hialurônico após 56 dias de uso.

2. Sol de Janeiro aposta no público masculino
Depois de transformar seus body splashes e cremes corporais em um fenômeno global, a Sol de Janeiro estreia oficialmente no mercado masculino com as fragrâncias Cheiroso 7 e Cheiroso 10 Cologne Mists. Inspirados no estilo de vida brasileiro e na cultura do futebol, os lançamentos chegam primeiro ao e-commerce da marca e à Sephora, com expansão para as lojas em agosto e previsão de estreia na Europa e na Ásia no início de 2027. As fragrâncias custam US$ 26 e combinam notas como lavanda, macadâmia e madeiras de baunilha ou cardamomo, abacaxi brasileiro e cedro. A movimentação acompanha a expansão do mercado de cuidados pessoais masculinos. Segundo a Mordor Intelligence, o segmento deve passar de US$ 50,4 bilhões em 2026 para US$ 69,8 bilhões em 2031, impulsionado pela retomada do trabalho presencial, pela busca por produtos multifuncionais e pelo crescimento do e-commerce. “Existe espaço entre os tradicionais desodorantes e as fragrâncias de luxo, e acreditamos que os homens estão prontos para uma nova proposta”, afirmou Jordan Saxemard, CEO da Sol de Janeiro, à WWD.

3. Natura prevê queda de até 10% nas vendas
A Natura informou ao mercado que espera uma queda entre 9% e 10% na receita do segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo reportagem da Cosmetic Business, a companhia estima faturamento líquido consolidado entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões. Entre os fatores apontados estão a desaceleração do consumo, dificuldades no canal de venda por relacionamento, indisponibilidade de produtos causada pela implantação de novos sistemas operacionais e os impactos da harmonização de preços entre os canais de venda, medida que reduziu temporariamente o ritmo das vendas online. Os resultados completos do segundo trimestre serão divulgados em 10 de agosto.

E mais:

. A CeraVe lançou a campanha nacional de inverno “O brasileiro quebra todas as barreiras. Menos a da pele”, estrelada por Tati Quebra Barraco, que adota temporariamente o nome Tati Quebra Barreiras. Ao lado do dermatologista Cauê Cedar, a cantora destaca a importância da barreira cutânea para proteger a pele dos efeitos do frio, do vento e da baixa umidade. A ação inclui filmes publicitários, conteúdos digitais, inserções na Netflix e ativações nas redes sociais.

. A Kérastase ampliou sua agenda de ações para o Julho das Pretas com apoio ao Jantar Preto, participação no Power List Mundo Negro e novas atividades do programa global de mentoria Power Talks. Desenvolvida no Brasil em parceria com a ONG Alumna, a iniciativa já impactou mais de 2 mil mulheres, com metade das vagas destinada a mulheres negras ou às primeiras da família a ingressarem na universidade. Segundo a marca, 96% das participantes afirmam sentir-se mais preparadas para crescer profissionalmente após o programa.

. A L’Oréal assumirá a licença global da Gucci Beauty a partir de meados de 2027, encerrando a parceria da marca italiana com a Coty. O acordo inclui o desenvolvimento, a produção e a distribuição das linhas de fragrâncias e maquiagem da grife e amplia a presença da divisão de luxo da companhia francesa. Até a conclusão da transição, a Coty continuará responsável pela operação da Gucci Beauty.

. A Givaudan anunciou um investimento na startup francesa BioFLUFF, especializada em tecnologias de microencapsulamento e materiais de origem biológica. A iniciativa faz parte da estratégia da empresa de ampliar sua atuação em soluções inovadoras para fragrâncias e ingredientes funcionais. Os valores da operação não foram divulgados.

. A BAIMS realiza, até 28 de julho, a campanha Julho Sem Plástico, com descontos de até 25% em seu portfólio de maquiagem sustentável. A marca afirma ter reduzido em mais de 76% o uso de plástico em suas embalagens e diz que, atualmente, 91,4% dos materiais utilizados são compostos por bambu, vidro, alumínio e papel. A ação integra o movimento internacional Plastic Free July e incentiva o uso de refis e embalagens reutilizáveis.

. A La Roche-Posay realiza a segunda edição da campanha “Ninguém Deve Lutar Contra o Câncer Sozinho”, destinando R$ 1 de cada unidade vendida da linha Cicaplast à plataforma Cecí, especializada no acompanhamento remoto de pacientes oncológicos. A expectativa é beneficiar mais de 30 mil pessoas em tratamento neste ano. Desde o início da iniciativa, mais de 26 mil pacientes já receberam apoio em todo o país.

. Entre os dias 14 e 18 de julho, a Sephora promove mais uma edição do Beauty & Play no Shopping Eldorado, em São Paulo. A programação gratuita reúne experimentação de produtos, ativações de marcas, masterclasses, distribuição de brindes e benefícios exclusivos para integrantes do Sephora Beauty Club.

. Pantys e Dra. Cherie lançam uma colaboração voltada às profissionais da saúde, composta por uma calcinha absorvente para fluxo moderado e um pijama cirúrgico exclusivo. A coleção chega ao mercado com a calcinha por R$ 89,90, disponível do PP ao XGG.

. A Época Cosméticos promove até 19 de julho o Festival de Marcas Asiáticas na loja física da Galeria Magalu, no Conjunto Nacional, em São Paulo. A ação reúne mais de 20 marcas de K-beauty e J-beauty, como TIRTIR, Medicube, Celimax, Shiseido, Hada Labo e Mise en Scène, com descontos entre 15% e 60% em produtos selecionados.

Compartilhe

Leia mais!