Hobby rooms: espaços de lazer e descanso começam a substituir o home office
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Hobby rooms: espaços de lazer e descanso começam a substituir o home office

por Redação Belezinha

foto: LEGO Botanicals

Já falamos por aqui sobre a ascensão dos hobbies no mercado de bem-estar. Mas, para além de experiências como cafés com aulas de cerâmica ou degustações de vinho acompanhadas de pintura, a busca por atividades que estimulem a criatividade sem viés produtivo e o descanso também começa a ganhar espaço dentro de casa. Publicações recentes de veículos como Bloomberg e The Hustle chamam atenção para os chamados hobby rooms — espaços domésticos dedicados a atividades criativas, práticas de yoga, salas de leitura e jogos.

E não se trata apenas de decoração ou acaso. Em publicação recente, o The Times explora como adultos fãs de LEGO têm transformado quartos vazios, sótãos e até ampliado suas casas para criar espaços dedicados exclusivamente às suas coleções e construções. Conhecidos como AFOLs (Adult Fans of LEGO), muitos relatam que esses ambientes funcionam como uma forma de relaxar, se desconectar das telas e lidar com o estresse do trabalho.

Nas redes sociais, especialmente no TikTok, esse desejo por espaços mais acolhedores, criativos e pessoais também aparece. Ainda que não sob o termo hobby room, conteúdos ligados à decoração de quartos, cantos de descanso e ambientes pensados para o bem-estar acumulam milhões de vídeos e visualizações sob hashtags como #RoomDecor e #CozyRoom. Neles, influenciadores compartilham diários de reforma e mostram quartos reaproveitados como salas de jogos e cantos de leitura, por exemplo.

Chega de home office
Durante a pandemia, quando a mudança para o trabalho remoto parecia definitiva, ter um home office se tornou essencial — só no Brasil, dados experimentais do IBGE mostraram que, em 2022, cerca de 7,4 milhões de pessoas exerciam teletrabalho, o que representava cerca de 7,7% dos ocupados. Agora, com o retorno ao presencial, esses espaços passam a ser repensados.

Nos Estados Unidos, por exemplo, segundo o The Hustle, com 75% dos trabalhadores obrigados a trabalhar presencialmente de forma regular, espaços dedicados exclusivamente ao trabalho em casa já não parecem tão necessários. Em vez disso, muitos proprietários estão reaproveitando antigos escritórios domésticos para criar adegas, salas de jogos, estúdios de pilates e outros ambientes voltados ao entretenimento e ao refúgio. “Os hobby rooms vêm assumindo múltiplas funções. Um cômodo pode começar o dia como um espaço calmo para exercícios, virar uma área de jogos infantis à tarde e se transformar em um ambiente sofisticado para receber convidados à noite”, afirmou à Bloomberg Eric Brown, corretor de imóveis de alto padrão e especialista em mercado residencial em Nova York.

Não é por acaso que a ascensão dos hobby rooms aparece como um gesto de recuperação de espaços pessoais. Casos de burnout — síndrome reconhecida como fenômeno ocupacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2022 — e outras questões de saúde mental vêm crescendo de forma consistente. Essa sensação coletiva de exaustão também aparece nos números oficiais: só no Brasil, segundo dados do Ministério da Previdência Social, mais de 546 mil benefícios por incapacidade temporária foram concedidos em 2023 por transtornos mentais e comportamentais, o maior número já registrado e o segundo ano consecutivo de alta nesse tipo de afastamento.

É interessante observar como a cultura do sucesso no trabalho vem dando lugar a um desejo genuíno por se desligar de telas e experimentar novas atividades. Só não vale trocar um vício por outro e, de workaholic, se transformar em descansaholic, com cenário aesthetics para as redes sociais e consumo exagerado.

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