O futuro da Givaudan, iniciativas com IA e outras notícias
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O futuro da Givaudan, iniciativas com IA e outras notícias

por Manuela Aquino

Recentemente, a companhia anunciou um investimento de 55 milhões de francos suíços em Grasse, na França, berço histórico da perfumaria, para a criação do “Campus 52”, um novo centro de excelência dedicado a ingredientes naturais e inovação. A Givaudan tem se transformado junto com o mercado para combinar ciência com sustentabilidade e tendência com os desejos do consumidor. Os últimos números divulgados mostram que o caminho é promissor: no primeiro trimestre de 2026, a divisão de Fragrance & Beauty cresceu 5,9%, com destaque para a perfumaria fina, que avançou 9,6%. Para entender o panorama atual da empresa e como se comporta o mercado, conversamos com Renata Abelin, head de marketing da Givaudan. Ela fala sobre como a empresa atua tanto na leitura do consumidor quanto na construção do futuro da perfumaria — e analisa como a ascensão da perfumaria árabe e o boom dos body splashes estão redesenhando o setor.

Como será o Campus 52, em Grasse, e como ele vai incrementar a busca por ingredientes naturais?
A Givaudan sempre teve uma gama muito rica em naturais, com a House of Naturals, que agora vai ter um espaço em Grasse. Era hora de montar essa casa, pois sempre tivemos uma estratégia, uma fala, de ir à origem do ingrediente e isso continua acontecendo. O terroir é algo muito importante: a gente pega a pequena produção e faz o ingrediente in loco. Mas agora, no berço da perfumaria, teremos um campus dedicado às inovações dos naturais. É possível explorar mais as fontes e trazer outras facetas, como a bergamota da Calábria, cuja casca, quando colhida verde, gera um ingrediente diferente do colhido no coração. Assim, podem ser usados em novas roupagens por conta de processos como microwave distillation e upcycling. Nossa paleta de naturais vai aumentar. O processo está sendo muito rico, tanto para os perfumistas quanto para a indústria.

O mundo da perfumaria tem vivido uma avalanche de lançamentos. Como uma casa de fragrâncias atua diante disso para que o público seja sempre atendido com novidades?
A casa de fragrâncias é um agente que vai ajudar nesses novos movimentos. Há duas frentes: entender a dor do consumidor e o que ele busca que ainda não está sendo atendido; e provocar o que vai acontecer em termos de tendência olfativa, antecipando de um a dois anos, que seria o tempo de lançamento de um produto. O mercado não fica parado. As coisas já estão sendo desenvolvidas, só não estão sendo faladas.

E isso é feito de maneira global ou vocês conseguem atuar localmente aqui no Brasil também?
Conseguimos fazer local, sim, mas sempre a partir de uma análise do comportamento cultural e social de cada região. No caso do Brasil, por exemplo, é um mercado mais “follower”. O consumidor, de forma geral, busca segurança e valor pelo dinheiro — ele quer acertar na compra, então tende a apostar no que já está consolidado. Por isso, acaba importando muitas tendências que já estão em curso em outros mercados, como Europa, Estados Unidos, Ásia e até países árabes, ainda mais com a globalização acelerando esse acesso. Por outro lado, como atuamos globalmente, também precisamos olhar para mercados formadores de tendência, como o europeu e o asiático. Nesses casos, o trabalho envolve antecipação: mapear sinais, fazer foresight e identificar movimentos emergentes. É um processo sensível, mas estratégico.

O que o consumidor busca hoje em perfumaria e quais mudanças recentes passaram a definir esse mercado?
O que a gente vê não é só uma tendência passageira, mas uma mudança estrutural no mercado. A entrada forte do mercado árabe trouxe um novo padrão de entrega, com uma proposta mais completa: fragrâncias mais intensas, maior concentração, alta qualidade olfativa e um cuidado grande com o packaging, tudo pensado como uma experiência 360. Isso impactou diretamente o Brasil. Antes, havia um movimento mais clean, tanto em fragrâncias quanto em design. Com essa influência, o consumidor passou a valorizar mais opulência, presença e performance, mas sem abrir mão do preço acessível. Ao longo dos últimos anos, o consumidor brasileiro também se adaptou olfativamente. Hoje, produtos que eram competitivos há cinco anos já não entregam a mesma percepção de potência. E quando falamos de potência, não é só sobre fragrâncias doces ou intensas, mas também sobre frescor com qualidade e projeção. Esse novo patamar elevou a régua do mercado.

Como você analisa o boom dos body splashes, inclusive com marcas que não tinham perfumaria passando a investir nessa categoria?
Isso vem de um contexto maior, né? A gente teve, ao mesmo tempo, um crescimento muito forte da alta perfumaria e da perfumaria árabe, com mais concentração, mais qualidade e um público mais jovem (principalmente a Gen Z), disposto a investir, muito também por causa das viralizações. E, em paralelo, você teve o que a gente chama de “efeito Sol de Janeiro”, que vai para um caminho mais acessível. São fragrâncias mais leves, mais “playful”, com esse lado de lifestyle, muitas vezes gourmand, e com uso mais do dia a dia. Os body splashes entram muito nesse lugar. Eles são uma porta de entrada para a perfumaria, principalmente no Brasil, onde o preço ainda é um fator importante. E eles têm um giro muito alto. Além disso, como são usados em layering, em camadas, você não compra só um, acaba comprando dois, três, e isso aumenta o consumo.

E como a Givaudan lida com o movimento das marcas que estão criando perfumistas internos e com a maior visibilidade desses profissionais?
A Givaudan hoje é a casa que mais tem perfumistas no mundo, então o nosso grande diferencial continua sendo a força criativa e o investimento consistente nesse talento. Atualmente, contamos com mais de 130 perfumistas globais. É um ecossistema muito rico de troca, onde diferentes perfumistas colaboram, compartilham repertório e ampliam as possibilidades criativas. Ao mesmo tempo, esse movimento das marcas de internalizar parte da criação e dar mais visibilidade aos perfumistas também responde a uma mudança no comportamento do consumidor. Antes, ele não tinha clareza sobre como a fragrância era desenvolvida e muitas vezes acreditava que todo o processo acontecia dentro das próprias marcas, como Grupo Boticário ou Natura. Hoje, com mais acesso à informação, existe uma demanda por transparência e por entender a origem das criações. Ao expor mais esse processo e dar protagonismo a quem cria, as marcas ajudam a educar o consumidor e a construir valor. Isso aproxima a perfumaria de outras indústrias criativas, como a moda, onde o autor e o processo fazem parte da narrativa do produto.

TOP 3
1. Grupo Boticário aposta em IA no e-commerce
Durante o TDC Summit Inteligência Artificial 2026, realizado em São Paulo, a companhia apresentou três cases de como a Inteligência Artificial está impactando conversão, ticket médio e experiência do cliente. O primeiro aborda acessibilidade, com geração automática de descrições de imagens de produtos — iniciativa que amplia o acesso de pessoas com deficiência visual e ainda melhora o SEO e a eficiência da busca interna. O segundo case trata da busca no e-commerce, que migrou de palavras-chave para uma lógica semântica, interpretando a intenção do consumidor e reduzindo buscas sem resultado. Por fim, o Grupo Boticário falou da assistente virtual desenvolvida com a Amazon Web Services foi inspirada no atendimento de lojas físicas: interage em tempo real, sugere produtos e pode adicioná-los diretamente ao carrinho. Os resultados incluem aumento na conversão, crescimento do ticket médio e redução da dependência de atendimento humano.

2. Instituto Natura completa 16 anos
O balanço divulgado pelo Instituto Natura mostra números robustos: R$ 116 milhões investidos em 2025 em iniciativas sociais na América Latina, alcançando 6,3 milhões de estudantes e 596 mil mulheres em projetos de educação, direitos e saúde. A organização completa 16 anos apoiada pelas marcas Natura e Avon em um modelo que reverte a venda de produtos sociais para o financiamento de políticas públicas — R$ 108,7 milhões vieram dessas iniciativas no último ano. Em educação, 4,8 milhões foram beneficiados por programas de alfabetização, enquanto 1,4 milhão participou de ações voltadas ao ensino médio. Na agenda de direitos e saúde das mulheres, o impacto alcançou quase 600 mil pessoas, com destaque para enfrentamento à violência de gênero e promoção da saúde das mamas. “Nossa lógica não é apoiar iniciativas isoladas, mas contribuir para o desenho de políticas públicas que possam ser replicadas, escaladas e gerar impacto sistêmico e duradouro em toda a região”, afirmou David Saad, diretor-presidente do Instituto Natura para a América Latina. A atuação também se estende às consultoras de beleza: mais de 231 mil foram impactadas por iniciativas educacionais e milhares participaram de ações de conscientização.

3. Molécula descoberta por IA surge como alternativa ao Ozempic 
Uma pesquisa liderada pela Universidade de Stanford identificou, com o auxílio de Inteligência Artificial, um peptídeo natural chamado BRP com potencial para se tornar alternativa às canetas emagrecedoras. A descoberta foi possível a partir de modelos avançados de IA capazes de analisar grandes bases de dados biológicos e identificar compostos com ação no metabolismo. O BRP atua na regulação do apetite e apresentou bons resultados nos testes iniciais, sobretudo pela ausência de efeitos colaterais significativos. Diferentemente dos medicamentos baseados em semaglutida, que atuam em receptores específicos relacionados à saciedade, a nova molécula explora vias metabólicas alternativas. Os testes pré-clínicos indicaram redução de peso em modelos experimentais, além de melhora no controle glicêmico e redução no armazenamento de gordura. Vale reforçar que, apesar da repercussão positiva, ainda são necessárias etapas rigorosas de testes clínicos em humanos para atestar eficácia e segurança.

E mais:

. A Dyson chega à Beleza na Web acompanhando um movimento de mercado: em 2025, hair foi a categoria de crescimento mais acelerado em valor na América do Norte e os lançamentos em prestige beauty avançaram mais de 20%, impulsionados sobretudo por haircare, segundo dados da Circana.

. Neste 7/5, a ABIHPEC promove, na sede da Fiesp, um encontro que reúne representantes da Natura, do iFood e da Anvisa para discutir como inovação, tecnologia e novos modelos de negócio vêm impactando o setor.

. A Veet lança a comunidade Veet Lovers Club para se conectar com a Geração Z e vai realizar experiências que conectam autocuidado, identidade e bem-estar sob o conceito “seus pelos, suas escolhas”.

. Novos embaixadores: a Vichy escolhe o jogador Vitinha como embaixador global da linha Dercos, e a Wella Professionals anuncia Sasha Meneghel como nova embaixadora no Brasil.

. A maquiadora e empresária Charlotte Tilbury foi nomeada embaixadora global da The King’s Trust, que completa 50 anos. A organização atua no Reino Unido e foi criada pelo Rei Carlos III para apoiar jovens em situação de vulnerabilidade.

. Após um período de dificuldades financeiras, a Pat McGrath Labs conclui seu processo de recuperação judicial e inicia uma nova fase sob o controle da GDA Luma, principal credora, que converteu dívida em participação e assumiu a operação da marca. Pat McGrath permanece à frente da direção criativa.

. Nos Estados Unidos, a FDA vai adotar um sistema baseado em Inteligência Artificial para fortalecer o monitoramento de segurança de cosméticos e outros produtos sob sua regulação. A plataforma conseguirá processar até 7 milhões de relatos anuais de efeitos adversos, automatizando a triagem, identificando padrões e priorizando casos críticos.

. Especialmente para o Sephoria 2026, a Sephora anuncia uma collab inédita com a Hope. A coleção de lifestyle conta com 14 itens — camisetas, jaquetas, robes, garrafas e bonés — que serão vendidos durante o evento.

. A Dermage estreia no mercado de perfumes com o lançamento de Sonata, disponível nas versões deo colônia corporal e capilar. A fragrância tem notas frescas de bergamota na saída, coração floral com rosa e fundo de baunilha, âmbar e musk.

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