A volta da magreza em tempos de wellness e performance
Saúde

A volta da magreza em tempos de wellness e performance

por Redação Belezinha

foto: Greg Swales para o WWD (reprodução WWD)

Basta um olhar atento aos feeds, tapetes vermelhos e manchetes recentes para perceber que os corpos estão ficando mais magros de novo. A magreza, que parecia ter perdido centralidade depois de anos de debate sobre diversidade corporal, reaparece agora com outro discurso, impulsionada também pelo impacto de medicações como Ozempic e similares.

Se nos anos 2000, quando os distúrbios alimentares eram assunto recorrente e associados ao visual heroin chic da década anterior, falava-se em enganar a fome, hoje o mecanismo se sofisticou. O discurso agora se apresenta como bem-estar e longevidade, guiado por temas como aceleração do metabolismo, práticas de jejum intermitente e a gestão dos níveis de inflamação do corpo — conceitos que podem, sim, fazer parte de uma rotina saudável, desde que não sirvam de álibi para sustentar a busca por um padrão corporal ideal.

Esse é um dos pontos discutidos no episódio “Magreza Extrema”, do podcast Ciao, Bela, núcleo de pesquisa que investiga o que está por trás da cultura da beleza, do corpo e do bem-estar. No episódio, Vânia Goy e Iza Dezon analisam como a magreza voltou a ocupar um lugar central, agora legitimada pelo discurso da saúde, onde falar de músculo, inflamação e percentual de gordura é o álibi perfeito, e questionam até que ponto estamos confundindo cuidado com obsessão.

Reportagens recentes ajudam a dimensionar esse movimento. No The Cut, o termo emaciation volta a aparecer para descrever a aparência cada vez mais frágil e estreita de celebridades e influenciadoras. Já a Allure mostrou como procedimentos extremos, como a remodelação e até remoção de costelas para afinar a cintura, aparecem como mais uma possibilidade dentro do repertório da estética contemporânea.

O novo forte
Esse olhar, no entanto, não se manifesta de forma única ou homogênea. Ao mesmo tempo em que circulam corpos extremamente magros e sem músculos aparentes, a musculatura, ainda inserida em um corpo magro, passa a funcionar como símbolo de status, associada tanto à saúde e ao envelhecimento ativo quanto a um estilo de vida que exige tempo, acesso e investimento constante.

Uma publicação do Financial Times chegou a apontar os braços fortes, como um novo símbolo de status entre mulheres. É verdade que o ganho de massa muscular está associado a um envelhecimento saudável, com impactos positivos sobre o sistema nervoso, a densidade óssea e até o declínio cognitivo. Porém, em uma era de auto-otimização e performance, ele vem associado a um estilo de vida que inclui investimento em treinos de academia, aulas de pilates, alimentação específica, cada vez mais recursos médicos e suplementares e, claro, renda disponível e autonomia sobre a própria agenda.

Como reflete a análise feita no Ciao, Bela, esse contexto ajuda a entender por que a magreza passa a ser associada a valores como disciplina, controle e desempenho, que atravessam tanto os corpos extremamente magros quanto os mais definidos, como se um corpo enxuto e bem gerido fosse prova de valor pessoal e sucesso.

Para aprofundar essa conversa, ouça o episódio “Magreza Extrema”, do podcast Ciao, Bela:

Compartilhe

Leia mais!